REFLEXÕES SOBRE A DOUTRINA DA ELEIÇÃO INDIVIDUAL DE ARMÍNIO

Por Kevin L. Hester

Em sua apresentação, “Reflections on Arminius’s Doctrine of Individual Election,” J. Matthew Pinson, presidente do Welch College, apresentou suas reflexões pessoais sobre a natureza da predestinação e sua colocação em círculos teológicos arminianos modernos. No centro de sua discussão está o equívoco comum de que os Arminianos rejeitam a predestinação – o conceito de eleição individual dos crentes e a reprovação individual dos incrédulos.

Longe de rejeitar a eleição individual, Armínio ensinou que Deus

Deseja que os homens, individualmente, venham ao conhecimento da verdade e sejam salvos, isto é, todos e cada um, ricos e pobres, nobres e ignóbeis, homens e mulheres. etc. Como o conhecimento da verdade e da salvação pertence aos seres humanos, individualmente, e está, na verdade, preparado, por predestinação, para a salvação de indivíduos, e não para classes, e é negado, por reprovação, indivíduos, e não a classes também, na providencia mais geral de Deus, antecedente, na  ordem da natureza, ao decreto de predestinação e reprovação, a vontade divina tem referencia a indivíduos de classes, e não a classes de indivíduos.

Pinson argumenta que Armínio, Wesley e outros teólogos arminianos seminais ensinaram eleição condicional e individual. Ele afirma que este é um modelo mais bíblico do que o conceito de eleição corporativa introduzido no Arminianismo por Shank e outros. [2] A ideia de eleição corporativa atraiu inúmeros adeptos Arminianos por causa da rejeição de temas calvinistas em particular e da crescente popularidade das ênfases corporativas na salvação expressas em N.T. Wright e outros autores da Nova Perspectiva.

Em contraste, a visão de Armínio sobre a eleição como individual era característica da teologia reformada de seu tempo. Ele se distinguiu oferecendo uma correção para uma ordem de eleição errônea que “inverte a ordem do evangelho” e diminuiu o ofício de Jesus Cristo de mediador da aliança da redenção. [3] Ele postulou uma ordo salutis que enfatizou 1) A eleição incondicional de Cristo por Deus como Mediador, 2) o decreto incondicional de Deus para salvar aqueles que se arrependem e creem, 3) o decreto incondicional de Deus para “administrar os meios de salvação” 4) os decretos incondicionais de Deus ” para salvar e condenar certas pessoas em particular de acordo com sua presciência “. [4]

Este pré-conhecimento é mais do que mera presciência de arrependimento e crença, mas introduz uma relação íntima de amor e graça. Na predestinação e na eleição, vemos “uma administração eterna do que está ocorrendo na vida dos eleitos e dos reprovados no tempo”. [5] Para Pinson, este é um modelo bíblico e uma expressão teológica da “leitura natural da predestinação e passagens que abordam sobre eleição no Novo Testamento “. [6]

Considerando que a ênfase tradicional da teologia reformada na eleição incondicional coloca a centralidade no papel mediador de Cristo, as novas correntes arminianas em direção à eleição corporativa desmerecem importantes temas Escritural que sejam relacionados à piedade individual. Se a eleição é corporativa, então “a eleição e a predestinação são conceitos abstratos que não são em si mesmos salvíficos … (mas sim) um veículo através do qual Deus conquista a salvação para as pessoas”. [7] Nesta luz, passagens como Efésios 1, que se concentra sobre os benefícios individuais dos crentes, quando estão unidos a Cristo contra o pano de fundo da eleição e da predestinação, são arrancados de uma leitura natural para se tornarem exposições teológicas e não reflexões adoráveis ​​sobre a redenção de Deus na vida dos crentes em particular.

Devemos agradecer a abordagem equilibrada e pastoral que o Pinson emprega neste artigo. Sua abordagem à Escritura, como a de Armínio, está viva com um espírito de adoração e temor pela graça de Deus. Muitos evangélicos no lado calvinista e arminiano do debate sobre eleição abstraíram a discussão sem referência às implicações da doutrina para a piedade individual. É um erro subtrair termos e conceitos bíblicos do seu contexto bíblico. Então, quais são algumas dessas implicações?

Implicações

A doutrina da eleição condicional e individual nos permite confiar em Deus como o autor da nossa salvação. Enquanto permanecemos unidos a Cristo através da fé, podemos confiar em seu amor contínuo. A crença no evangelho traz o selo de Sua promessa e a “garantia da nossa herança”. [8]

A doutrina da eleição condicional e individual nos assegura o desejo redentor de Deus para a salvação de todas as pessoas e Seu afeto eterno por aqueles que Ele tem presciência. Os decretos eternos de Deus se manifestam no tempo e no contexto de relações reais com seres humanos caídos. Deus trabalha para fazer essas criaturas pecaminosas e rebeldes como Seu Filho. [9]

A doutrina da eleição condicional e individual deve despertar nosso louvor e adoração. Deus nos prepara com as riquezas da Sua graça para que possamos viver “para o louvor da sua glória”. [10] Que nossa teologia seja tão rica quanto nossa herança nele e que isso possa nos levar a nossos joelhos, pois isso nos leva a louvar nos lugares celestiais.

Soli Deo Gloria

————————————————————————————————————————————————————————————-

[1] Arminius, Works, 3:461, Examination of the Treatise of Perkins on the Order and Mode of Predestination. Bagnall edition. Citado em Pinson, “Reflections on Arminius’s Doctrine of Individual Election,” ensaio apresentado no Theological Symposium of the National Association of Free Will Baptists, Gallatin, TN. October 23-24, 2017. p. 3.

[2] Robert Shank, Elect in the Son: A Study of the Doctrine of Election (Springfield, Missouri: Westcott, 1970); Ver também Paul Marston and Roger Foster, God’s Strategy in Human History (Eugene, Oregon: Wipf and Stock, 2001; reprint).

[3] Arminius, Works, 1:632, Declaration of Sentiments. Bagnall edition. Citado em Pinson, “Reflections on Arminius’s Doctrine of Individual Election,” ensaio apresentado no Theological Symposium of the National Association of Free Will Baptists, Gallatin, TN. October 23-24, 2017. p. 5.

[4] Arminius, Works, 1:653-4, Declaration of Sentiments. Quoted in Pinson, “Reflections on Arminius’s Doctrine of Individual Election,” ensaio apresentado no Theological Symposium of the National Association of Free Will Baptists, Gallatin, TN. October 23-24, 2017. p. 6. Italico do autor.

[5] Pinson, “Reflections on Arminius’s Doctrine of Individual Election,” ensaio apresentado no Theological Symposium of the National Association of Free Will Baptists, Gallatin, TN. October 23-24, 2017. p. 8.

[6] Citando em Pinson, “Reflections on Arminius’s Doctrine of Individual Election,” ensaio apresentado no Theological Symposium of the National Association of Free Will Baptists, Gallatin, TN. October 23-24, 2017. p. 9.

[7] Pinson, “Reflections on Arminius’s Doctrine of Individual Election,” ensaio apresentado no Theological Symposium of the National Association of Free Will Baptists, Gallatin, TN. October 23-24, 2017. p. 10.

[8] Ver Efésios 1:13-14.

[9] Ver Efésios 1:4.

[10] Ver Efésios 1:12.

FONTE

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s