O MOLINISMO É TÃO MAU QUANTO O CALVINISMO?

Por Jerry L. Walls

Este artigo compara as teorias da providência e predestinação no Molinismo e Calvinismo. Minha preocupação particular é com o fato do Molinismo ser envolvido com o mesmo tipo de implicações morais perturbadoras que infestam o Calvinismo. Eu concluo que o Molinismo é melhor do que o calvinismo a este respeito, mas ainda falha em nos dar um relato satisfatório da Bondade de Deus e vontade de salvar todas as pessoas. Eu sugiro uma versão alterada do Molinismo para consertar essa dificuldade, segundo a qual Deus dá a todas as pessoas uma quantidade ideal de graça e igualdade de oportunidades para responder a isso.

Em seu pequeno livro A História Natural da Religião, David Hume tem um interessante relato do por que os homens professam a crença na bondade divina. Nas suas raízes, esta confissão é em grande parte motivada pelo medo. Isto é, os homens atribuem bondade a Deus porque eles têm medo do que Ele poderia fazer com eles se eles dissessem ou pensassem em alguma coisa negativa sobre ele.

Apesar disso, os homens muitas vezes detestam a Deus em seus corações. Pois Deus é descrito como agindo em relação a nós de maneiras que achamos altamente condenável em outras pessoas. Há, diz Hume, uma forte contradição entre representantes religiosos de Deus e “nossas ideias naturais de generosidade, leniência, imparcialidade e justiça. “1

Para ilustrar seu ponto, Hume cita as doutrinas da predestinação e da reprovação. Em uma nota de rodapé, ele cita longamente uma passagem de Chevalier Ramsay, um escritor que rejeitou essas doutrinas em favor de uma doutrina de salvação universal. Ramsay descreve a predestinação como uma doutrina cercada por uma nuvem espessa de mistério. É totalmente desconcertante para nós por que Deus escolheria eleger a vasta maioria da humanidade para a eterna reprovação. Os doutores predestinaristas iriam insistir, no entanto, que não devemos questionar a Deus: “Ele tem razões secretas para sua conduta, que são impenetráveis; e embora ele pareça injusto e bárbaro, ainda devemos acreditar no contrário, pois o que é injustiça, crime, crueldade e a malícia mais negra em nós, é nele justiça, misericórdia e bondade soberana “. 2

Hume continua nos dizendo que Ramsay ainda afirma, em outros lugares, “que os esquemas arminianos e molinistas servem muito pouco para resolver a questão. A alegação que desejo explorar neste artigo. O Molinismo é realmente tão ruim quanto o Calvinismo? 3

Antes de continuar, eu gostaria de explicar um pouco mais detalhadamente os termos chave desta questão. Por molinismo, quero dizer a teoria da providência e predestinação proposta por Luis de Molina durante uma controvérsia do século XVI sobre a relação entre a graça divina e o livre arbítrio humano. Molina, um jesuíta desenvolveu sua teoria como uma alternativa para a visão que ele atribuiu aos seus oponentes dominicanos. Ele resumiu o que ele tomou sendo a suas posições em quatro proposições, que parafraseio como segue: 1) antes da predestinação, alguns eram eleitos para a salvação através de uma escolha absoluta da parte de Deus, antes de qualquer presciência das circunstâncias e uso da livre escolha por parte dos homens 2) da mesma forma, outros foram rejeitados por uma escolha absoluta da parte de Deus; 3) a predestinação daqueles eleitos para a salvação foi estabelecida em uma predeterminação para conferir-lhes as ajudas eficazes pelas quais suas vontades seriam tão determinadas que eles certamente executariam aquelas obras que levam à vida eterna; 4) os outros são excluídos da salvação em virtude do fato de que Deus não decidiu conferir-lhes ajudas semelhantes. 4

A visão assim resumida por Molina é o que eu chamarei de calvinismo. Enquanto esta visão é proeminentemente associada com João Calvino, o grande reformador, tem sido defendido por um número de pensadores significativos, tanto romano como protestante. Eu estou usando o termo “Calvinismo” genericamente para me referir a este amplo relato da predestinação.

Esta concepção de predestinação é problemática por uma série de razões. Estas razões são claramente expressas por Molina na seguinte passagem significativa: De fato, se o método de predestinar alguns adultos e não outros reflete a teoria desses autores com suas predeterminações, então eu não vejo em que sentido é verdade que Deus quer que todos os seres humanos sejam salvos se eles mesmos não o impedir, ou em que sentido é verdade e não fictício que todos os seres humanos sem exceção foram criados por Deus para a vida eterna. Nem eu vejo como Deus poderia justificadamente reprovar o não-predestinado por não viver de maneira piedosa e santa e por não alcançar a vida eterna; na verdade eu não vejo como é verdade que Deus colocou os seres humanos na mão de seu próprio conselho, para que eles possam direcionar suas ações como eles desejarem. Pelo contrário, dado este método de predestinação e predeterminações, a liberdade da faculdade de escolha criada perece, e a justiça e bondade de Deus em relação aos réprobos é muito ofuscada e obscurecida. Assim, esta teoria não é piedosa nem de qualquer maneira segura do ponto de vista da fé. 5

As dificuldades citadas por Molina estão obviamente inter-relacionadas. O que é inaceitável sobre a visão em questão é que ela enfraquece qualquer substancial visão da bondade e da justiça de Deus. A bondade de Deus está intimamente ligada a Seu desejo de salvar todas as pessoas. Um componente essencial da bondade é um desejo para a felicidade dos outros. A bondade de Deus é evidente em Seu desejo de que todas as pessoas desfrutem da felicidade da vida eterna. Um aspecto essencial da justiça é exigir não mais do que os outros são capazes de realizar. Deus exige que vivamos vidas santas é justo se somos capazes de fazê-lo, ou somos capacitados pela graça a fazê-lo. Como Molina viu, a visão de seus oponentes da predestinação implicou que aqueles que estão perdidos, nunca são realmente capazes de viver vidas santas.

Isso nos leva ao que talvez seja a dificuldade fundamental com esse relato da predestinação, ou seja, que elimina a liberdade das vontades criadas. Nas páginas que precedem e seguem a passagem acima, Molina gasta energia argumentando este ponto. Ele sustenta que a teoria de seus oponentes da intrinsecamente graça eficaz, implica que aqueles que são privados de tal graça não são capazes dissentir dos pecados que cometem; nem eles são capazes de realizar qualquer um dos atos bons que eles não conseguem realizar. Aqueles que recebem tal graça, por outro lado, não pode senão realizar os bons atos que eles realizam.

Para Molina, é essencial manter um relato de liberdade tal que vontades possam cooperar ou resistir à graça de Deus. Liberdade não é compatível com o tipo de determinismo que ele percebia em seus oponentes. 6

Agora, então, vamos voltar aos problemas que o Calvinismo coloca com respeito à justiça e misericórdia de Deus. A noção de que Deus predestina algumas pessoas para a condenação, retendo deles a graça com a qual eles viveriam vidas santas e alcançar a salvação, parece não fazer sentido igualmente para estes atributos divino. Qual sentido faria dizer que Deus desejava a salvação de pessoas de quem Ele deliberadamente escolheu reter a graça eficaz? E em que sentido poderia Deus ser justo se Ele exigisse que as pessoas vivessem em retidão sendo que nunca foram capazes de fazer isso? É difícil imaginar como Deus poderia ser justo em punir tais pessoas condenadas eternamente. Pois tal punição parece arbitrária e perversa. De fato, não é de admirar que John Wesley disse que o Calvinismo faz Deus pior que o Diabo.7

No entanto, vale ressaltar que até os defensores do calvinismo lutam contra as implicações morais de sua teoria. A saída típica é fazer um apelo para o mistério. Embora a descrição de Ramsay do Calvinismo – citada acima – seja talvez um pouco de caricatura, não está longe da verdade. Calvinistas frequentemente recorrem ao mistério a ponto de torná-lo uma virtude. Eles veem isso como uma expressão da verdadeira piedade para sufocar todas as dúvidas morais e objeções diante dos decretos impenetráveis ​​de Deus. Molina, claro, tinha uma noção muito diferente de piedade: para ele seria “nem piedoso nem seguro” subscrever a teoria calvinista da predestinação.

Agora, então, deve ficar claro o que quero dizer quando pergunto se o Molinismo é tão ruim quanto o calvinismo. Isto é um atalho para a questão de saber se o Molinismo é igualmente atormentado pelo tipo de implicações morais perturbadoras que infestam o Calvinismo.

É minha impressão que os calvinistas frequentemente encontram conforto no pensamento de que o Molinismo é igualmente tão ruim. Em um nível superficial, eles podem dizer, parece que o molinismo pode evitar os problemas que constrangem os calvinistas. No entanto, quando a lógica do Molinismo é exposta, torna-se óbvio que os Molinistas não são melhor do que os calvinistas.

II

Para ver porque alguns pensam que o Molinismo é tão ruim quanto o Calvinismo, nós precisamos conhecer um pouco mais sobre a teoria Molinista da predestinação e da providência. A chave para sua visão sobre esses assuntos é a sua ideia do “conhecimento médio” de Deus, Molina concisamente caracteriza o conhecimento médio de Deus como aquele

pelo qual, em virtude da mais profunda e inescrutável compreensão de cada faculdade da livre escolha, Ele viu em sua própria essência o que cada tal faculdade faria com a sua liberdade inata, fosse isso para ser colocado nessa ou naquela ou, de fato, em infinitas ordens de coisas – embora realmente fosse capaz, se quisesse, de fazer o oposto. 8

A título de análise, vamos destacar os aspectos cruciais dessa definição. Primeiro de tudo, o conhecimento médio é assim chamado porque está ‘entre’ o conhecimento natural de Deus e seu conhecimento livre. O conhecimento natural de Deus é de verdades metafísica necessárias e é conhecido por Ele antes de sua decisão de criar. Seu conhecimento livre é de verdades metafisicamente contingentes que são conhecidas por Deus consequentemente em sua decisão de criar. Isto é, o conhecimento de Deus de qual estados de coisas contingentes serão obtidos e quais não. A livre escolha de Deus que determina quais estados de coisas contingentes serão obtidos.

O conhecimento médio está entre estes dois no sentido de que compartilha uma característica de cada um. É como o conhecimento natural em que é conhecido por Deus antes de Sua decisão de criar. É como o conhecimento livre no que diz respeito as verdades metafisicas contingentes. Pois o objeto do conhecimento médio é o que as vontades livres poderiam fazer, ou nós poderíamos dizer, o que pessoas com livre-arbítrio fariam em determinadas circunstâncias ou estados de coisas.

O alcance desse conhecimento é infinito. Na verdade, é impressionante mesmo de forma inicial tentar perceber o que esse conhecimento envolve. Envolve conhecimento do que todas as pessoas criáveis fariam em todos os estados de coisas possíveis. Inclui conhecimento de todas as eventualidades que resultariam de todas as possíveis escolhas livres. Isso significa que Deus sabe um número infinito de coisas que teriam acontecido se as circunstâncias apropriadas fossem atualizadas, mas que de fato nunca acontecem. Por exemplo, considere Jones, que morreu em tenra idade. Deus sabe o que Jones faria em todas as circunstâncias possíveis e, portanto, ele sabe o que Jones teria feito se ele tivesse vivido mais tempo e vivenciado tais e tais situações. Deus sabe se ele teria se casado, se teria filhos – e se ele tivesse – o que as crianças teriam feito e assim por diante.9

É importante ressaltar que este conhecimento é de escolhas que são livres em um sentido muito forte. Os agentes livres são tais que eles poderiam fazer muitas escolhas diferentes daquelas que Deus sabe que eles fariam. Isso significa que Deus não tem controle sobre o que Ele sabe através do conhecimento médio. O que ele sabe depende de quais escolhas os agentes livres realmente fariam. Em seguida, vamos considerar como é que Deus tem esse conhecimento médio de acordo com Molina. Em sua opinião, Deus compreende cada agente livre vendo em sua própria essência o que cada tal vontade faria com a sua liberdade. Este é o aspecto menos satisfatório da teoria de Molina. Ele parece entender isso como óbvio que o perfeito conhecimento de Deus de sua própria essência envolve conhecimento de quais escolhas os agentes livres fariam. No entanto, está longe de ser óbvio que este é o caso. A básica ideia de que Deus sabe o que é possível através do conhecimento de Sua essência é sensato o suficiente como é a alegação de que a ordem criada em algum sentido espelha a essência divina. Mas a maneira em que Deus pode saber quais escolhas na verdade seriam feitas por criaturas livres permanece bastante misteriosa.

Existem outros problemas com o conhecimento médio que eu não discutirei aqui. 10 Meu propósito no presente não é defender a noção, mas apenas explorar algumas de suas implicações. Então eu vou assumir no que se segue que a ideia do conhecimento médio é coerente e plausível.10

Dada essa suposição, vamos agora resumir brevemente o conceito de predestinação e providência de Molina. A essência de sua visão da providência é que Deus organiza o mundo como ele quer, à luz do que ele sabe pelo conhecimento médio. A providência de Deus abrange as escolhas livres no sentido de que Ele as traz sobre os agentes livres que são colocados em tais e tais circunstâncias sabendo que eles vão fazer tais e tais escolhas livres. A concordância de Deus, é claro, subjaz a todos os aspectos da providência, incluindo a livre escolha. Todas as boas ações são especificamente pretendidas por Deus enquanto ações más são permitidas pela providência de Deus em prol de um bem maior.11

A predestinação deve ser entendida como um aspecto da providência geral de Deus. Isto é, Deus predestina pessoas específicas para salvação e condenação somente no sentido de que Ele traz ou permite as circunstâncias em que Ele sabe que essas pessoas escolherão livremente a salvação ou a condenação.

É importante reconhecer que Molina tinha vários motivos interligados para desenvolver sua visão do conhecimento médio. Em primeiro lugar, ele estava preocupado em sustentar que o conhecimento de Deus sobre o futuro é meticuloso e absolutamente certo. De forma semelhante, ele queria insistir que Deus exerce em particular, não apenas uma providência geral sobre toda a criação. Pensar de outro modo diminui a glória de Deus. Molina também está interessada em defender o conhecimento médio pela simples razão de que ele pensa que está claramente implícito em certas passagens da escritura, incluindo as palavras de Cristo.12 Mas há outra motivação fundamental no trabalho, ou seja, o desejo de Molina em preservar a liberdade libertária. Isso é necessário a fim de dar sentido à noção de que Deus justamente recompensa ou pune nós por nossas ações. Sem liberdade libertária, é difícil se não impossível dar sentido à afirmação de que alguns são condenados, embora Deus deseje salvar todas as pessoas. Pois se as pessoas não são livres no sentido libertário, poderia dar a entender que, se Deus deseja salvar todos elas, então todos de fato serão salvos. Pois se a liberdade é compatível com o determinismo, então Deus poderia salvar todas as pessoas, e fazê-lo de tal maneira que todos escolheriam livremente a salvação.

Na opinião de Molina, não é possível manter tanto a liberdade humana como uma visão forte da providência sem recorrer ao conhecimento médio. Se nós quisermos ter uma visão adequada da presciência e providência divina, temos uma escolha: devemos aceitar o conhecimento médio ou uma concepção de predestinação que destrói totalmente a liberdade humana. Para Molina a escolha é óbvia. Se aceitarmos o conhecimento médio, podemos manter que o conhecimento de Deus do futuro é absolutamente certo e que nossas escolhas são totalmente livres – apenas como se não houvesse pré-conhecimento.13

Agora, a visão de Molina é tão bem-sucedida quanto ele imagina? Ou está o calvinismo ou algo tão ruim, espreitando no oculto, como alguns críticos pensam?

Vamos tentar afirmar o que os críticos têm em mente. Parece ser algo assim: o molinismo é tão ruim quanto o calvinismo porque, de acordo com isso, Deus coloca pessoas, ou permite que elas sejam colocadas, em circunstâncias em que Ele sabe que escolheram o mal e serão condenadas. Se isto é assim, o calvinista pode instar, que a aparente superioridade moral do molinismo é realmente uma ilusão.

III

Para avaliar a alegação dos críticos, vamos comparar dois mundos possíveis. Primeiro, tem o mundo calvinista.14 Neste mundo Deus predestina um número específico de pessoas para serem salvas, decidindo conferir-lhes qualquer quantidade de graça necessária para assegurar sua salvação. Vamos chamar essa graça como eficaz, Deus rejeita o resto das pessoas neste mundo, retendo deles graça sem a qual eles não podem ser salvos.15

Em seguida, vamos considerar o mundo molinista. Por uma questão de comparação, vamos tornar isso tão parecido com o mundo calvinista quanto pudermos. Vamos dizer que as mesmas pessoas que são salvas e condenadas neste mundo o são no mundo calvinista. Além disso, vamos dizer que os estados de coisas neste mundo são, tanto quanto possível, como os estados de coisas no mundo calvinista. A diferença é que no molinista Deus predestina quem será salvo e quem será condenado por causar circunstâncias em que Ele sabe que as pessoas envolvidas escolherão livremente a salvação ou condenação. Todas as pessoas recebem graça suficiente para capacitá-las a ter fé, fazer boas obras e ser salvas; mas a nenhum é dado tanta graça que sua liberdade é anulada. Se a graça de Deus é ou não eficaz depende da resposta das pessoas que a recebem. Se eles respondem positivamente, será eficaz. Se eles rejeitarem, isso não será eficaz.

À primeira vista, pode parecer que o mundo Molinista é tão ruim quanto o mundo calvinista.  No entanto, há uma diferença importante entre eles que pesa contra esta conclusão. No mundo molinista, já que todos recebem graça suficiente para tornar sua salvação possível, há fundamentos para a alegação de que a danação dos condenados é justa. Pois essas pessoas poderiam ter sido salvas e são condenadas devido ao fato de que elas recusaram a graça que Deus ofereceu. No do mundo calvinista, por outro lado, a condenação de tais pessoas é, em última instância, atribuída ao fato de que Deus não decidiu conferir-lhes uma graça eficaz. Os motivos para a punição de Deus dessas pessoas nos escapam totalmente. Isto é incomparável como Deus poderia estar pensado apenas no mundo calvinista. Por isso, parece não haver garantia até agora para a alegação de que o Molinismo é tão ruim quanto o Calvinismo.

No entanto, isso não resolve a questão inteiramente, pois ainda há importantes perguntas a serem feitas sobre o mundo Molinista. Vamos considerar algumas delas.

Primeiro, que se Deus sabe que é o caso de muitas das pessoas no mundo molinista que estão condenadas, teriam sido salvas se Ele tivesse organizado o mundo de uma maneira diferente, colocando-os em circunstâncias diferentes?16 E que se Deus sabe que algumas das pessoas condenadas teriam sido salvas se Ele tivesse permitido que elas vivessem mais, ou talvez não tenha permitido viver tanto tempo?

Vamos refletir sobre o caso de duas pessoas que são criadas em diferentes circunstâncias. Um nasce em uma casa em que ele é privado tanto das necessidades físicas como emocionais. Ele nunca é amado e não recebe virtualmente nenhuma instrução religiosa. Ele acaba se tornando um criminoso e morre de forma violenta. O outro nasce em uma família amorosa que provê todas as suas necessidades, incluindo as suas necessidades espirituais. Ele é fielmente ensinado na fé cristã e se torna um crente devoto. Agora, suponha que Deus sabe que o primeiro também teria se tornado um crente devoto se ele tivesse sido criado nas circunstâncias da segunda pessoa.

Ou considere o caso de dois homens devassos, ambos familiarizados com o Cristianismo, mas até o momento rejeitaram o evangelho. No momento eles estão envolvidos em um acidente automobilístico, no qual um morre enquanto o outro vive. Permita-nos dizer que o segundo eventualmente se torna um santo e é salvo enquanto o primeiro é condenado. Suponha que Deus saiba que o primeiro também teria se tornado santo se ele tivesse vivido.

Ou vamos pensar em uma passagem interessante do Journal de John Wesley. Ele nos fala sobre um jovem convertido sincero que estava cheio do amor de Deus. Ele tinha atravessando à frente de Wesley em seu cavalo, mas foi arremessado e quebrou o pescoço. Alguém chegou bem a tempo de colocar o pescoço de volta no lugar e salvar sua vida.

Agora, o que é um pouco surpreendente é a resposta de Wesley ao incidente: “O mistério da providência – por que esse homem não morreu quando estava cheio de humildade? Santo amor? ” 17 O medo de Wesley, aparentemente, era que o jovem se afastasse do amor de Deus e se perdesse.

Finalmente, na mesma linha, vamos considerar as observações de Bertrand Russell sobre a noção de que a salvação e a condenação podem depender de circunstâncias fortuitas dessa crença, observou Russell, motivado pelo menos por uma prática muito duvidosa:

Os espanhóis no México e no Peru costumavam batizar crianças indígenas e em seguida, imediatamente arrancar seus cérebros: por este meio, eles garantiram que essas crianças fossem para o céu. Nenhum cristão ortodoxo pode encontrar qualquer razão para condenar suas ações, embora todos na atualidade o façam .18

Deixando de lado a afirmação de Russell de que um cristão não tem boas razões para condenar essa prática, vamos refletir sobre as implicações maiores do caso. Saberia Deus que muitos dos bebês abatidos teriam se tornado pessoas más se eles vivessem? A salvação deles é realmente de alguma forma garantida pelo fato de que eles foram assassinados antes que tivessem a chance de se perder?

O que todos esses casos sugerem é que é muito estranho, para dizer o mínimo, pensar que a salvação e a condenação poderiam depender de fatores como as circunstâncias do nascimento ou da hora da sua morte. De fato, isso não parece justo.

Mas a questão real é mais profunda. Para ver isso, vamos refletir sobre esses casos em vista da afirmação de que Deus, em Seu perfeito amor, deseja salvar todas as pessoas. Se isso é assim, não parece que Deus permitiria que alguém fosse condenado por meio de alguma circunstância desfavorável. Pelo contrário, pode parecer que Deus é tal que Ele faria, se possível, de alguma forma eliminar as desvantagens que alguns têm devido as circunstâncias desfavoráveis e dar a todos uma oportunidade igual para serem salvos. Isto é, pode ser que Deus acabará distribuindo Sua graça igualmente entre todas as pessoas E esta noção, quero sugerir, pode fornecer uma solução para as dificuldades no Molinismo que acabamos de encontrar.

No entanto, não é uma tarefa simples dizer em detalhes o que pode estar envolvido em Deus distribuindo sua graça igualmente para todas as pessoas. Como uma estimativa vamos considerar o seguinte. Suponha que haja alguma medida de graça N que representa a quantidade ideal de influência para o bem que Deus pode exercer na vontade de alguém sem destruir sua liberdade.19 O que estou sugerindo é que se Deus deseja salvar todas as pessoas, Ele dará a todos essa medida de graça. Esta medida de graça, no entanto, difere em alguns aspectos de uma pessoa para outro. O que representa a medida N para Jones pode afetar Smith completamente de tal maneira que sua liberdade é destruída. Além disso, o que é eficaz para influenciar Smith em direção ao bem pode apenas tornar Jones mais resistente. Então a graça dada igualmente não implica de forma alguma tratar todas as pessoas apenas da mesma forma. Significa fazer o que é melhor para cada indivíduo obter um resultado positivo.

Eu diria que a graça é distribuída igualmente se a medida da graça N é dada a todas pessoas, na medida em que cada uma delas lhe dê uma resposta decisiva, seja positivamente ou negativamente. O que é crucial aqui é a ideia de uma resposta decisiva, mas é importante reconhecer que isso está intimamente ligado à ideia de uma medida de graça.

Primeiro, vamos considerar a resposta conclusiva. Eu proporia que é uma resposta resolvida que é feita com total compreensão. Tal resposta não seria aleatório, superficial ou propenso a mudar em circunstâncias incertas ou com reflexão sobre novas informações. Tal resposta poderia ser descrita como disposição fundamentada. Como tal, normalmente não seria alcançado em um momento, mas apenas através de uma série mais longa de escolhas. Assim, as escolhas iniciais podem ser contra Deus e o bem, mas a longo prazo pode vir a amar Deus de uma forma conclusiva. O que é decisivo não é a escolha inicial de alguém, mas a disposição finalmente adquirida.

Dado o desejo de Deus de salvar todas as pessoas, uma resposta negativamente decisiva apenas faz sentido à luz da graça ideal. Isto é, uma resposta negativa a Deus é decisiva somente se alguém persiste em rejeitar Deus nas mais favoráveis circunstâncias, Só então fica claro que alguém rejeitou a Deus de uma forma conclusiva com total compreensão.

Assim, no nosso caso acima dos dois homens perdulários, estou inclinado a dizer que um dos mortos não havia rejeitado decisivamente a Deus. Embora sua resposta inicial à graça era negativa, ele teria se tornado uma pessoa santa se tivesse vivido mais tempo. Isso sugere que sua reação inicialmene negativa a Deus não foi realmente uma resposta final. Se Deus sabe disso, pode ser que Deus lhe dê a graça no momento da morte para começar a se tornar o que ele teria se tornado se ele não tivesse morrido. Mais crescimento espiritual poderia ocorrer após a morte. O mesmo é verdade da nossa pessoa nascida em uma vida de privação. Sua vida de crime não constitui uma rejeição final de Deus desde que ele não rejeitou Deus nas mais favoráveis circunstâncias e, além disso, teria se tornado um crente devoto em diferentes circunstâncias. Deus, podemos supor, poderia trazer as condições de circunstâncias favoráveis durante a passagem da morte, compensando assim as suas privações. Então ele poderia dar uma resposta totalmente deliberada a Deus. Alguma coisa assim, penso eu, representaria graça na medida N para essa pessoa.

Agora vamos voltar ao próprio Molina. Como ele responderia às minhas sugestões? Infelizmente, é sua opinião que: “Deus não provê para todos seres humanos e anjos igualmente ou da mesma maneira, tanto em relação a dons sobrenaturais ou naturais, mas decide distribuir os dons de Deus misericórdia como Ele deseja, embora ninguém seja privado do que é necessário ”.20

Além disso, Molina não acredita que Deus sempre faça tanto quanto possível, antes de destruir a nossa liberdade, a fim de nos salvar. Isso se reflete em suas observações sobre como Deus endurece alguns pecadores:

Agora existem duas maneiras em que se diz que alguém endurece um pecador: Primeiro, se não se concedem auxílios maiores ou diferentes com os quais ele prevê que o pecador será despertado e curado. . . . Em segundo lugar, se ele remove certos auxílios e permite maior tentação e ocasiões de pecar por que a própria dureza do pecador assume mais força e a conversão torna-se mais difícil, isso geralmente ocorre como uma absolutamente justa punição pelos pecados precedentes. 21

Traduzido em minha terminologia, isso significa que Deus concede para algumas pessoas uma medida de graça menor que N, digamos N-2, sabendo que essas pessoas não responderiam positivamente a essa medida de graça, mas responderia positivamente à graça de medida N.

Embora seja verdade que essas pessoas realmente tiveram uma oportunidade genuína para ser salvas, e livremente rejeitaram, eu não vejo como poderia ser mantida que Deus desejou a salvação deles. Pois Ele poderia dar isso para que eles livremente aceitem a salvação, meramente concedendo mais graça a eles.

Além disso, Molina acreditava que, enquanto Deus endurece alguns, permitindo então cair em maior tentação, Ele poupa outros removendo-os por prematura morte antes que eles caiam em pecado mortal. Este é o ponto de Sabedoria 4: 11, que Molina cita como evidência bíblica para essa teoria do conhecimento médio.22 Assim alguns são poupados pois teriam caído em pecado mortal se tivessem vivido mais tempo enquanto outros estão sujeitos a maior tentação ou negam a graça com a qual eles teriam sido convertidos. Nesses pontos, Molina parece perigosamente próximo ao calvinismo. Pois Deus é descrito como outorgando ou retendo mais graça como Ele quer e isso enfraquece a afirmação de que Ele deseja salvar todas as pessoas.

Como observamos acima, um aspecto essencial da bondade perfeita de Deus (nos mundos que contêm criaturas) é um desejo pela felicidade dos outros. Se a nossa verdadeira felicidade é encontrada na salvação, segue-se que Deus deseja a nossa salvação. Se há pessoas cuja salvação Deus não deseja, então Ele não deseja a felicidade dessas pessoas. E se houver alguma cuja felicidade Deus não deseja, Sua perfeita bondade é comprometida. Então a bondade perfeita de Deus parece implicar que Ele deseja a salvação de todas as pessoas e, portanto, outorga a todos uma medida favorável de graça.

Ao rejeitar isso, Molina parece estar preso no meio do calvinismo e da visão que eu propus, de acordo com a qual Deus dá a todos uma igual oportunidade de ser salvo. Enquanto o Molinismo não é tão ruim quanto o Calvinismo, não é tão bom quanto poderia ser. A principal razão para isso é que ele não fornece um relato adequado do desejo de Deus de salvar todas as pessoas. Evita apenas parcialmente a noção de que Deus arbitrariamente salva alguns enquanto permite que outros sejam condenados que é, sem dúvida, o aspecto mais problemático do Calvinismo.

IV

Agora, gostaria de responder a algumas objeções que provavelmente surgiram devido ao que tenho discutido até agora.

Primeiro, a questão que pede para ser feita é por que alguém deveria se empenhar agora em amar a Deus e fazer o bem se futuramente pode haver oportunidades na morte para receber a salvação. Se a perfeita bondade de Deus implica que todos recebem uma chance igual de ser salvos, isso não reduz o senso de urgência normalmente associado à busca da salvação? Não incentiva a presunção ao pensar que pode haver uma segunda chance de ser salvo no momento da morte?

Em resposta a isso, gostaria de enfatizar que não estou dizendo que alguém tem uma segunda chance, mas sim que a todos é dada a oportunidade de fazer uma escolha decisiva em aceitar ou rejeitar a vontade de Deus. Para algumas pessoas, o nível decisivo da escolha pode não vir nesta vida devido ao fato de que eles nunca realmente entenderam a mensagem cristã ou foram de outra forma privados de maneiras que os impediam de fazer uma escolha deliberada sobre o assunto.

Isso, no entanto, não fornece qualquer base para que alguém presuma que sua presente escolha não importa. Qualquer um que entenda o argumento que apresentei está provavelmente, pelo menos, de forma justa bem informado sobre questões religiosas. Tal pessoa provavelmente não estaria entre aqueles que realmente não entendem a mensagem cristã. Se tais pessoas continuarem a rejeitar a salvação presumindo de que eles podem se arrepender depois, pode ser que eles estejam se acomodando, por essa mesma atitude, a uma disposição estabelecida para preferir sua vontade à vontade de Deus.

Outra objeção ao relato que defendi é assim: se a bondade perfeita de Deus implica que Ele dará a todas as pessoas uma medida ideal de graça, então, na realidade, o conceito de graça foi eliminado. Porque se Deus é necessariamente, perfeitamente bom (o que eu aceito), então é uma questão de necessidade Ele conceder essa graça a todos. E se é uma questão de necessidade, não é verdadeiramente graça, porque a graça é, por definição, algo que Deus livremente concede.

É certamente verdade que uma ênfase na liberdade divina tem sido central em relatos da graça. O calvinismo, claro, é o exemplo mais nítido disto com sua doutrina que Deus concede ou retém a graça como Ele quer.  A liberdade da graça está assim ligada à sua distribuição desigual. Como Calvino colocou isto: ” a própria desigualdade da graça [de Deus] prova que é livre “.23

Eu quero argumentar, no entanto, que o que é essencial para a noção de graça não é se é concedido ou recusado à vontade, mas que é imerecida. A ideia de que a graça é concedida livremente é facilmente alinhada em conjunto com a ideia de que é imerecida. Isto é, é fácil pensar porque nenhum de nós merece graça, Deus pode dar a quem ele quiser, negligenciando o resto.

No entanto, acho que é possível manter a ausência do abandono humano sem defender que Deus é livre para reter a graça de qualquer um que Ele deseje. Para entender isso, vamos considerar uma analogia parental. Suponha que um pai tenha dois filhos, ambos vão contra os seus desejos, vivendo vidas imprudentes. Eventualmente ambos se tornam viciados em drogas e necessitam de reabilitação. O pai tem recursos mais que suficientes e paga de bom grado por sua reabilitação. Mais tarde, no entanto, ambos voltam ao estilo de vida antigo e novamente se tornar viciado e precisam de reabilitação. Isso acontece várias vezes, suponha que o pai saiba de alguma forma que, se reabilitar mais uma vez eles terão suas vidas em ordem e se tornarão responsáveis. Mas suponha que ele decide reabilitar apenas um de seus filhos, deixando o outro em um estado de dependência de drogas ao longo da vida e miséria.

Como vamos julgar este caso? Acho que diríamos que nenhum dos dois filhos mereciam a ajuda do pai. Ele não está obrigado a ter que reabilitá-los repetidamente. No entanto, se o pai sabe que seus filhos irão se recuperar se ele reabilitá-los mais uma vez, então eu acho que duvidaríamos do seu amor por seus filhos se ele recusasse em fazê-lo, especialmente se ele tem recursos mais que suficientes. Além disso, nós o acharíamos uma pessoa melhor se ele se dispusesse a reabilitar ambos em vez de apenas um. Ele não seria um pai perfeitamente bom se deixasse um dos seus filhos em um estado de miséria, se ele pudesse ajudá-lo.

Da mesma forma, eu não acho que a bondade perfeita de Deus possa ser mantida se sustentasse que Deus retém a graça de alguns, ou distribui Sua graça de maneira desigual de tal maneira que alguns são condenados, sendo que de outra forma seriam salvos. A natureza de Deus como um ser perfeitamente bom é tal que Ele necessariamente dá a todas as pessoas uma oportunidade igual para ser salvo. Isso não destrói a noção de graça, no entanto, permanece como verdade que não merecemos a salvação. Ainda é verdade que o fundamento final da salvação está no que Deus é, não naquilo que somos.

Além disso, existe ainda um importante elemento de liberdade na graça. Pois Deus não criou necessariamente, mas livremente. Louvor e gratidão são devidos a Deus desde Sua escolha de criar é o que possibilita a nossa salvação e felicidade eterna.

 Uma terceira objeção pode ser colocada da seguinte forma: se Deus sabe que alguma pessoa não responde positivamente à Sua graça, mesmo quando concedida de uma maneira muito favorável, então por que Ele cria essas pessoas? Se Deus cria essas pessoas, você ainda tem um problema análogo ao problema na posição de Molina. Não é suficiente para Deus dar uma porção igual da Sua graça àquelas pessoas. O problema está precisamente na afirmação de que Deus conscientemente cria tais pessoas.

Esta é uma objeção de peso que devo admitir que não é resolvida pela minha revisão do Molinismo. Uma pergunta fundamental persiste a respeito da bondade de Deus e se ele cria pessoas sabendo que resistirão à Sua graça e serão condenadas.

 Eu quero insistir, no entanto, que o problema aqui não é tão importante quanto a posição de Molina. No relato que eu esbocei, a bondade perfeita de Deus é evidente no fato de que Ele salva tantas pessoas quanto é possível sem destruir sua liberdade. No esquema de Molina, no entanto, a bondade perfeita de Deus é comprometida, como argumentei acima. Como o pai em nossa analogia que decide não reabilitar um dos seus filhos, o Deus de Molina é retratado como retendo a graça de pessoas que Ele sabe que responderia positivamente a isso. Assim, ele não salva tantas pessoas quanto possível.

Mas a bondade de Deus também não é comprometida em criar pessoas que Ele conhece que seriam condenadas? Se é assumido que Deus poderia criar um mundo de criaturas livres em que nenhum é condenado, talvez a resposta seja sim. Mas esta suposição é uma questão aberta. Talvez Deus não possa criar um mundo de criaturas livres em que todos respondem positivamente à Sua graça. Talvez o melhor mundo criável com criaturas livres inclua alguns que não respondem até mesmo a uma medida ideal de graça Pode ser que tudo que Deus possa fazer nesse sentido seja criar o mínimo possível de pessoas.

Claro, seria necessário um maior esforço para sugerir porque Deus não poderia no geral, evitar criar pessoas que rejeitem decisivamente Sua graça. Sem dúvida o melhor que poderíamos fazer a este respeito é especular o que são essas razões, e para os fins deste artigo, eu acho que isso é necessário. Mas se é plausível pensar que existem tais razões, isso parece-me a dificuldade em Deus criar pessoas que Ele sabe que seriam condenadas, é amplamente mitigado. Ainda pode ser argumentado, é claro, que Deus não deveria criar um mundo com criaturas livres se ele soubesse que alguns serão condenados. Mas esse julgamento está longe de ser evidente.

Eu concluo então, que a versão alterada do Molinismo é de fato moralmente preferível à posição de Molina, assim como o molinismo apresenta uma diferença, se bem que um leve avanço moral sobre o calvinismo. 24

NOTAS

1-Stanford University Press, Stanford, 1956, pp. 67-68.

2-P. 69n.

  1. Não há dúvida de que nem o Molinismo nem o Calvinismo são tão ruins quanto a interpretação de Ramsay dá a entender. Isso não deve nos distrair da maneira efetiva como ele levantou a questão sobre os méritos relativos das duas posições.

4-On Divine Foreknowledge (Part IV of the Concordia), [Hereafter Concordia], trans. Alfred J. Freddoso (Ithaca: Cornell University Press, 1988), qu. 14, art. 13, disp. 53, Part 2, no. 24.

  1. Concordia, qu. 14, art. 13, disp. 53, part 2, no. 29.
  2. Molina relata que quando seus oponentes são pressionados para ver a incompatibilidade entre a visão deles de predestinação e liberdade, eles fogem em direção à “âncora da ignorância”, alegando que, em vez de rejeitar a predeterminação, é melhor juntar-se a Caetano em confessar que somos ignorantes do modo pelo qual a liberdade de escolha se encaixa com a presciência, a providência, a predestinação e reprovação. “Concórdia, qu. 14, art. 13, disp, 53, parte 2, nº 20.
  3. Works, London, 1872, 7:382.
  4. 8. Concordia, qu. 14, art. 13, disp. 52, no. 9.
  5. Para uma discussão fascinante deste ponto, ver Concordia, qu. 14, art. 13, disp. 53, parte 2, no. 15
  6. Ver Robert M. Adams, “Middle Knowledge and the Problem of Evil,” American Philosofical Quarterly, Vol. 14, no. 2, pp. 109-17; Anthony Kenny, The God of the Philosophers, University Press, Oxford, 1979, pp. 61-71; William Hasker, “A Refutation of Middle Nous (December, 1986), pp. 545-57.
  7. Concordia, qu. 14, art. 13, disp. 53, part 3, nos. 13-18.
  8. As passagens bíblicas citadas por Molina são as seguintes: I Samuel 23:10-12; Sabedoria 4.11; Mateus 11:20-24.
  9. Concordia, qu. 14, art. 13, disp. 51, no. 18; disp. 52, no. 29.

14.Eu realmente não acredito que tal mundo seja possível, embora seja descritível. Pela diferença entre um mundo sendo possível ao invés de ser descritível ou concebível, vejaThomas V. Morris, “A necessidade da bondade de Deus”, The New Scholasticism, vol. 59, pp. 429ff.

  1. Os calvinistas tendem a ser inconsistentes e ambivalentes quanto ao ponto seguinte. Às vezes eles falam como se os condenados recebessem uma oportunidade genuína para serem salvos. Eu analisei exemplos deste em outro lugar Veja “Deus pode salvar quem ele quiser?” Scottish Journal of Theology, vol. 38; esp. pp.163-71; “A defesa do livre arbítrio, calvinismo, Wesley e a bondade de Deus”, Christian Scholar’s Review Vol. 13, no. 1, pp. 19-33.
  2. Vamos supor que Deus poderia fazer isso sem causar sobre qualquer uma das pessoas que são salvas neste mundo serem então condenadas. Eu não vejo nenhuma maneira de provar ou refutar essa suposição, no entanto, parece plausível.
  3. Works, 2:289; cf. 478.
  4. Why I Am Not a Christian (Simon and Schuster, New York, 1957), p. 35.
  5. Concordia, qu. 14, art. 13, disp. 53, part 3, no. 16.
  6. Concordia, qu. 23, art. 4 & 5, disp. 4, no. 6.
  7. Concordia, qu. 14, art. 13, disp. 53, part 1, no. 5.
  8. Institutes of the Christian Religion, trans. Ford Lewis Battles, ed. John T. McNeill Philadelphia, 1961), 3.21.6.
  9. Sou grato a Thomas Flint, David Lutz, Thomas Morris, Philip Quinn e Laurence Wood o Editor e um árbitro para este Jornal, e especialmente, Alfred Freddoso, para estimular e críticas às ideias deste artigo.

Dr. Jerry L. Walls é um acadêmico e atualmente Residente e Professor de Filosofia na Houston Baptist University. Seu foco principal é filosofia da religião, ética e apologética cristã. Ele é autor, co-autor, editou ou co-editou mais de uma dúzia de livros e mais de oitenta artigos e resenhas. Entre elas, uma trilogia influente sobre a vida após a morte, a saber: Hell: The Logic of Damnation; Heaven: The Logic of Eternal Joy; Purgatory: The Logic of Total Transformation.

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