Respostas Arminianas aos Argumentos Calvinistas

Por Steve witzki

Além das Escrituras, há vários argumentos que os calvinistas usam em apoio a segurança incondicional ou para combater a segurança condicional. Às vezes estas são colocadas em uma declaração ou na forma de uma pergunta. Estes argumentos serão colocados em negrito e a resposta (s) seguirá com os teólogos arminianos.

Se alguém pudesse ser removido do corpo de Cristo, o corpo de Cristo seria mutilado.1

As Escrituras não ensinam que ele é completo em nós, como tal argumento implicaria; antes, Paulo diz que somos completos nele [isto é, em união com ele] (Colossenses 2:10).2

Se alguém é filho de Deus, não importa o que aconteça, não se pode deixar de ser filho de Deus.3

Este argumento procede assim:

Premissa: Seu nome é Stephen M. Ashby, certo?

Premissa: Seu pai era Hobert C. Ashby, certo?

Conclusão: Bem, não importa onde você vá, não importa o que você faça, você não pode deixar de ser filho de Hobert Ashby.

 Há um problema em tentar fazer uma correlação absoluta entre um relacionamento espiritual e um relacionamento natural. Pois se um relacionamento espiritual pode nunca ser quebrado, então seria impossível alguém ser salvo. Note os seguintes versículos, onde Jesus disse: “Você pertence ao seu pai, o diabo (João 8:44). Mais uma vez: “Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do diabo. Qualquer que não pratica a justiça, e não ama a seu irmão, não é de Deus. ” (1 João 3:10). Em Efésios 2: 1-3 (KJV), Paulo caracteriza os não salvos como aqueles que andaram de acordo com o príncipe do poder do ar, como filhos da desobediência e como filhos da ira. Se for verdade que um relacionamento espiritual não pode ser quebrado quando aplicado a um “filho de Deus”, então a consistência lógica exigiria que “filhos do diabo” sempre permanecessem filhos do diabo. Assim, ninguém jamais poderia se tornar um filho de Deus. “Uma vez filho, sempre um filho ”é simplesmente um argumento inválido.4

Robert Shank respondeu assim:

Um erro comum e sério é supor que existe de alguma forma uma equivalência entre o nascimento físico e renascimento espiritual: o que quer que seja intrínseco ao nascimento físico é igualmente intrínseco ao nascimento espiritual; o que quer que possa ser dito de um pode igualmente ser dito do outro. Trabalhando sob tal errônea suposição, muitos concluíram que o nascimento esiritual, assim como o nascimento físico, é necessariamente irrevogável. “Se alguém nasceu”, eles perguntam, “como pode voltar a ser não nascido? ” Eu posso ser um filho teimoso e desobediente”, eles dizem, “mas eu devo para sempre permanecer filho do pai”. Em defesa ao que parece uma conclusão lógica obvia, eles têm procedido em boa consciência a impor interpretações injustificadas e caprichosas sobre muitos discursos simples de Jesus e sobre passagens de advertência explicitas e claras no Novo Testamento. Afinal, escrituras devem concordar! Mas considere três diferenças essenciais entre o nascimento físico e o espiritual:

1-O nascimento físico opera o início da vida do sujeito in totó, enquanto que o nascimento espiritual envolve apenas uma transição de um modo de vida para o outro.

(Pode-se objetar que o nascimento espiritual não é uma transição de uma velha vida para uma nova vida, sobre o fundamento de que quando alguém nasce do Espirito, ele passa “da morte para a vida” se tornando “uma nova criatura em Cristo”. Isso é verdade; mas somente dentro dos limites da definição total das Escrituras, pois também é verdade que o homem que está “morto em suas iniquidades e pecados” é ainda assim um ser espiritual racional que é pessoalmente responsável por sua vida e por seus pecados, e que, a menos que se arrependa, deve responder diante de Deus em solene julgamento. O que é descrito coo “morte”, visto que o pecador está “carente da vida de Deus”, é mesmo assim vida espiritual em um plano degenerado – uma vida espiritual pela qual o perdido deve responder diante de Deus em julgamento. O Novo Testamento contém muitas referências à velha vida dos cristãos antes da conversão, referencias que tem a ver com as vidas espirituais dos homens em estado não regenerado.)

2- No nascimento físico, o sujeito não tem conhecimento prévio e não do qualquer consentimento, enquanto que no nascimento espiritual, o sujeito deve ter conhecimento prévio do Evangelho e deve consentir.

(Pode-se objetar que, tendo em vista João 1:13 e Tiago 1:18, o nascimento espiritual dos homens é pela vontade de Deus, ao invés de pela vontade dos homens. Tal objeção provém da falácia “isto ou aquilo”, uma suposição ridícula inconscientemente entretida por muitos estudiosos sinceros da Bíblia. Na verdade, o nascimento espiritual dos homens é pela vontade tanto de Deus quanto do homem. “De Sua própria vontade Ele nos concedeu a palavra da verdade”. Sim, mas não à parte do consentimento de nossas vontades. De sua própria vontade, o noivo toma para si a noiva. Deus não está sob qualquer obrigação de conceder a vida espiritual aos homens, a tal espantoso custo para Si mesmo, a não ser a obrigação de Seu próprio amor e de Sua graça. “De Sua própria vontade”, portanto, o Pai das luzes dá bons dons aos homens e toma como Seus próprios filhos todos os que creem na Sua palavra da verdade. A iniciativa é de Deus. Mas a iniciativa de Deus exige uma resposta do homem. Os homens não são nascidos do Espirito à parte de um conhecimento prévio do Evangelho [Romanos 10:8-17], nem à parte de seu próprio consentimento [João 5:40].

3- No nascimento físico, o indivíduo recebe uma vida independente de seus pais. Eles podem morrer, mas continua vivendo. Mas o nascimento espiritual, o sujeito recebe uma vida dependente. Ele se torna um participante da vida e da natureza Daquele que a concede – um participante pela fé, da vida eterna de Deus em Cristo, “que é a nossa vida”.

Tendo em vista essas óbvias diferenças, não se pode considerar estranho que nascimento espiritual, diferentemente do físico, não é irrevogável. É tolice supor que uma equivalência existe entre o nascimento físico e o espiritual, e que o que quer seja intrínseco ao nascimento físico o é igualmente ao espiritual. O nascimento físico e o espiritual são igualmente reais, mas essencialmente diferentes. Embora exista uma analogia entre dois, não há qualquer equivalência

Aquele que é nascido de novo nunca pode se tornar não-nascido.6

Se uma pessoa se torna um apóstata, essa pessoa não se torna não-nascida – ele ou ela morre! Antes da conversão, as pessoas estão espiritualmente mortas (Efésios 2: 1). Através da apostasia, volta-se àquele estado espiritualmente morto.

Ao crente é dito ter a vida eterna como uma possessão atual; não seria vida eterna se você pudesse perdê-la.

Muitos textos são usados ​​para defender esse argumento (por exemplo, João 3: 15-16; 3:36; 5:24; 6:54; 10:28). . . . . Esses versos falam da vida eterna. Assim, devemos nos perguntar o que é a vida eterna. A resposta pode parecer óbvia, mas é mesmo? A vida eterna é uma abundância de vida? Significa meramente que eu vou viver para sempre? Além disso, os incrédulos têm a vida eterna? Não de acordo com a Bíblia! Não há um único versículo das Escrituras que atribui a vida eterna a um incrédulo. Claro, os incrédulos vão existir para sempre. Mas isso não é o que a Bíblia quer dizer quando fala de vida eterna. Vários versículos do apóstolo João são úteis:

  • João 1: 4: “Nele havia vida e essa vida era a luz dos homens”.
  • João 5:26: “Pois, da mesma forma como o Pai tem vida em si mesmo, ele concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.
  • João 5: 39-40: “Vocês estudam cuidadosamente as Escrituras, porque pensam que nelas vocês têm a vida eterna. E são as Escrituras que testemunham a meu respeito; contudo, vocês não querem vir a mim para terem vida”.
  • João 10:10: “Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância”.
  • João 12:50: “Sei que o seu mandamento é a vida eterna. . . ”Todo contexto dos versos 44-50 é importante aqui. A crença em Cristo é obviamente a chave para a vida eterna.
  • 1 João 5: 11-13: Aqui João diz que “e essa vida [eterna] está em seu Filho [de Deus]” e que “Quem tem o Filho tem a vida”. Ele conclui dizendo que a chave para ter o Filho, e assim a vida eterna, é crer no Filho de Deus.

 Fé em Cristo é o que coloca alguém em Cristo. A vida eterna não é apenas perpétua existência; é a própria vida de Deus. Eu participo dessa vida porque estou legalmente em Cristo. Ninguém que está fora de Cristo tem a vida eterna. A vida de Deus era eterna antes que eu a tenha recebido, e continuará a ser eterna, mesmo se eu a perdê-la por rejeitar a Jesus Cristo.

Se a vida eterna pode ter um fim, então como é eterna?

Tal questão procede de uma incompreensão fundamental. Ela repousa sobre a suposição errônea de que, na conversão, Deus de alguma forma implanta um pouco de vida eterna dentro da alma do indivíduo, de tal forma que se torna uma possessão pessoal inalienável ipso facto [pelo próprio fato]. Certamente a vida eterna é eterna. Mas a Bíblia declara que a vida eterna – a própria vida do próprio Deus – só pode ser compartilhada com homens. Não pode ser possuída por homens separados de uma união viva com Cristo, e através de quem essa vida está disponível para os homens. [Alexander] Maclaren disse bem:

 União com Cristo pela fé é a condição de uma verdadeira transmissão da vida. “Nele estava a vida “, diz o Evangelho de João. . . .

 Nenhum homem pode respirar nas narinas de outro, o sopro da vida. Mas Cristo pode e faz respirar sua vida em nós; e este verdadeiro milagre de uma transmissão da vida espiritual tomando lugar em todo homem que humildemente confia a si mesmo a ele.

 A tese de Maclaren é plenamente fundamentada nas Sagradas Escrituras. Considere as seguintes passagens:

Todo o que come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele.

Da mesma forma como o Pai que vive me enviou e eu vivo por causa do Pai, assim aquele que se alimenta de mim viverá por minha causa. (João 6:56, 57)

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim. (João 14: 6)

Disse-lhe Jesus: “Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que morra, viverá; e quem vive e crê em mim, não morrerá eternamente. Você crê nisso? ” (João 11:25, 26)

. . . Cristo, que é a nossa vida. . . (Colossenses 3: 4)

O dom de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor (Romanos 6:23 ASV).

O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos apalparam — isto proclamamos a respeito da Palavra da vida.

A vida se manifestou; nós a vimos e dela testemunhamos, e proclamamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e nos foi manifestada . . . E este é o testemunho: Deus nos deu a vida eterna, e essa vida está em seu Filho. Quem tem o Filho, tem a vida; quem não tem o Filho de Deus, não tem a vida . . . Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês. Se o que ouviram desde o princípio permanecer em vocês, vocês também permanecerão no Filho e no Pai. E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna. (1 João 1: 1, 2; 5:11, 12; 2:24, 25)

 Não pode haver dúvida se a vida eterna irá durar. Não pode cessar. Mas o ponto das muitas advertências solenes no Novo Testamento é que o nosso privilégio de participar dessa vida eterna depende diretamente da nossa permanência nEle em quem, somente, essa vida está disponível para os homens. Se falharmos em permanecer nEle, a vida eterna continua; mas a nossa participação nessa vida cessa. Nós compartilhamos essa vida somente quando continuamos a permanecer nEle “que é a nossa vida”. 11

As passagens de advertência relativas à apostasia são os meios de Deus de assegurar que os crentes não cairão.

Muitos apologistas da doutrina da segurança incondicional, na tentativa de conciliar as passagens de advertência com sua doutrina a priori, explicam-na como sendo somente os meios de Deus de assegurar que os crentes não caíram da fé. A essência dos argumentos de muitos é a seguinte: O simples fato de que os viajantes são avisados que há uma vala ao longo da estrada não significa que eles vão cair nela. Os avisos não devem nos levar a supor que eles vão ou podem. Deus adverte crentes simplesmente porque, como seres racionais, eles são constituídos de modo a exigir motivação. Ele, portanto, apela aos seus medos para mantê-los no caminho. Mas os avisos não provam que os crentes cairão; pelo contrário, eles são os meios de Deus de garantir que eles não cairão.

 Não se lê muito dos defensores da doutrina da segurança incondicional antes de encontrar essa “explicação”, da presença de tantos avisos imperativos contra a apostasia tão obviamente dirigida aos crentes. A tolice de sua contenda é vista no fato de que, no momento em que um homem se convence de que sua doutrina de segurança incondicional está correta, as passagens de alerta imediatamente perdem propósito e valor que eles reivindicam para eles. Strong citando Dr. A. C. Kendrick em Hebreus 6: 4-6: “O texto descreve uma condição subjetivamente possível e, portanto, precisando ser garantido com um aviso sério ao crente, enquanto objetivamente e no propósito absoluto de Deus, nunca ocorre. ”Mas como pode haver advertência ”ao crente que é suficientemente“ instruído ”para entender que o “aviso” é dirigido contra uma impossibilidade? Como algo pode ser subjetivamente possível para a pessoa que sabe que isso é objetivamente impossível? A única possível circunstância sob a qual as passagens de advertência podem servir ao propósito e função que eles reivindicam para eles seria a rejeição total da doutrina da segurança incondicional e perseverança inevitável.

 O renomado teólogo reformado Dr. G. C. Berkouwer. . . insiste que a perseverança é inevitável e “não depende de nós, mas da graça de Deus”, defende para esta “explicação” falida das passagens de advertência. Ele afirma que “o ponto central da doutrina da perseverança ”está na relação harmoniosa entre“ a graciosa fidelidade de Deus ”(o que torna a apostasia impossível e a perseverança inevitável) e “a dinâmica da verdadeira luta da vida” (na qual é bastante necessário que nos sintamos constantemente motivados por alertas de ameaças e advertências de calamidade extrema da apostasia que nos persegue a todo momento, para que possamos estar continuamente despertado para atividade, vigilância e oração, e assim continuar deliberadamente na fé).

 Berkouwer declara que as advertências “. . . tem como fim a preservação da Igreja, que precisamente desta forma é estabelecida nessa única direção que é e que deve permanecer irreversível – a direção da morte para a vida! Portanto, para que as passagens de advertência executem sua função divinamente ordenada assegurando a perseverança e a preservação da Igreja, é absolutamente necessário, segundo Berkouwer, que as advertências sejam consideradas como aviso sincero:

Qualquer um que removesse qualquer dessa tensão, essa advertência completamente sincera, esta advertência multifacetada, da doutrina da perseverança dos santos faria as Escrituras um grande dano, e lançaria a igreja no erro do descuido e ociosidade.

 A doutrina da perseverança dos santos nunca pode se tornar uma garantia a priori na vida dos crentes que lhes permitiria conviver sem admoestações e avisos. [Apesar do protesto de Berkouwer, é precisamente isso que a doutrina da perseverança inevitável de Calvino se torna para todos que a abraçam. ] Por causa da natureza da relação entre fé e perseverança, todo o evangelho deve abundar com advertências. Tem que ser dito assim, porque a perseverança não é algo que nos é meramente transmitida, mas é algo que só acontece no caminho da fé. Portanto, as advertências mais sinceras e admoestações de alertas não podem, por si mesmas, ser tomadas como evidência contra a doutrina da perseverança.

 Pensar em admoestação e perseverança como opostos, como contraditórios, é possível somente se entendermos mal a natureza da perseverança e tratá-la isoladamente de sua correlação com a fé. Para o correto entendimento da correlação entre fé e perseverança, são precisamente essas admoestações que são significativas, e elas permitem-nos entender melhor a natureza da perseverança.

 Berkouwer insiste que “a perseverança não é algo meramente transmitido a nós, mas é algo que só acontece no caminho da fé ”. Ele insiste que há uma necessidade real de “advertências de alertas”, pois são precisamente os meios que Deus ordenou para motivar os crentes e, assim, assegurar sua perseverança. Mas quando nos tornamos suficientemente “iluminados” para entender (como Berkouwer também insiste) que a perseverança é inevitável e não depende de nós de qualquer maneira ou grau, como poderemos nos tornar atentos para as admoestações e advertências?

Seria interessante aprender com o professor Berkouwer como ele mesmo recentemente experimentou este aviso sincero com a leitura de qualquer uma das “advertências de alertas” com o qual o evangelho todo abunda. Se ele experimenta este aviso sincero na leitura das “admoestações de alertas”, é porque ele realmente teme que ele possa afastar-se do “caminho da fé” e cair da graça? Ou, se ele não experimenta este aviso sincero, é porque ele considera que, para si mesmo (em contraste com todos os outros crentes), é admissível que a doutrina reformada da inevitável perseverança constitui “uma garantia a priori” que lhe permite “se dar bem sem admoestações e advertências ”? . . .

A falácia do absurdo pressuposto pelo calvinismo [que os homens devem estar sinceramente persuadidos que a apostasia é impossível e, ao mesmo tempo, sinceramente alertado com os avisos]. . . está constantemente demonstrado na trágica inconsistência no ministério pessoal de pastores que o retêm. Eles professam acreditar que, enquanto todos verdadeiros crentes irão inevitavelmente perseverar, é somente dentro do contexto da dinâmica do exercício de fé que a perseverança é revelada. Eles professam acreditar que as passagens de advertência são projetadas por Deus para realizar essa perseverança, motivando crentes para continuar na fé e para temer a apostasia, e que a perseverança é realizada somente quando os crentes observam solenemente as passagens de advertência. Essas coisas eles professam acreditar (pelo menos, quando pressionados para explicar a presença das passagens de alerta). Mas a pregação e o ensino deles parecem destinados a impedir as passagens de advertência e as “advertências de alerta” de realizar o propósito que eles professam acreditar que Deus pretende que elas sirvam. Eles nunca perdem uma oportunidade de “explicar” as passagens de advertência de modo a dissipar a preocupação que seus ouvintes possam ter, e eles continuamente asseguram que são incondicionalmente seguros por todo o tempo e eternidade, sem nenhum risco qualquer. Eles constantemente fazem o máximo para destruir a preocupação de seus ouvintes pelas advertências e admoestações que eles reconhecem como meios de Deus motivar os crentes a perseverar. Aqueles que pregam os alertas com seriedade e convicção, eles acusam de ser “confuso” e “doutrinariamente doentes “, e de não acreditar na salvação pela graça. A sabedoria é justificada pelas crianças; mas apenas a eternidade revelará a medida completa do dano desta popular falácia e a inevitável inconsistência de todos que a abraçam.

 Ao contrário da suposição de alguns, os avisos não foram dados apenas porque não há outros motivos pelos quais os crentes possam ser motivados a perseverar; pois há outros motivos, como gratidão a Deus por Seu perdão e graça, uma crescente alegria através da fidelidade, preocupação com a necessidade espiritual daqueles que são influenciado por nossas vidas. . . . As advertências foram dadas, não para suprir uma falta de qualquer motivo para a perseverança, mas por causa da existência de um perigo real e mortal que devemos levar em conta.

Se a fé é uma condição que o homem deve satisfazer para ser salvo, isso faz a salvação em parte uma obra do homem? A fé, assim concebida, se torna algo que o homem faz (uma “obra”) e de alguma forma merecer a salvação?

  1. Que a salvação é pela graça de Deus e não pelas obras do homem é uma conclusão com justiça extraída da Escritura. . . . Armínio estava muitas vezes se esforçando para negar que a fé resulta de nossa própria força, e afirmar que ela é “produzida em nós pelo dom gratuito de Deus”. Ele declara: “Eu atribuo a graça o início, à continuação e à consumação de todo bem. . . .
  2. Corolário para isto, então, é esta disjunção: “pela fé” e “pelas obras” são mutuamente excludentes – logicamente e biblicamente. “Fé” (com razão – isto é, biblicamente – recebida) não é “obras” e “obras” não é “fé”. . .
  3. A Bíblia liga a salvação pela fé e a salvação pela graça como complementares. . . . Paulo deixa isso claro em passagens como Efésios 2: 8, 9; Romanos 4: 2-5; 10: 3; e especialmente Romanos 4:16. . . . Importante então: conquanto signifique o que a Bíblia quer dizer pela fé, a salvação pela fé está em perfeita harmonia com a salvação pela graça, e precisamente contraditório com a salvação pelas obras.
  4. A natureza da fé salvadora é tal que não leva absolutamente nenhum mérito para a pessoa que assim crê. Biblicamente, a fé está na antítese das obras. O crente, portanto, não recebe mérito pela fé; ele não é recompensado por crer. Fé não é nada mais (ou menos) do que receber um presente. Portanto, é exatamente o oposto de lucrar, merecer, ou ser digno. . . . [Calvinista] J. I. Packer insiste: “A fé é uma questão em primeiro lugar de procurar fora e longe de si mesmo em Cristo e sua cruz como a única base do presente perdão e esperança futura. ”Precisamente! E assim, enquanto a fé estiver desviando o olhar de si mesmo em direção a Cristo para a salvação, é por natureza o oposto do mérito.
  5. A fé é, no entanto, a atitude pessoal do indivíduo, refletindo a mente e a vontade dessa pessoa. Fé significa que a pessoa está crendo, não que Deus (ou Cristo) está crendo por ela. Qualquer quantidade de referências do Novo Testamento sobre a fé confirmará isso:

Gálatas 2:16 Crendo em Jesus Cristo para sermos justificados.

Romanos 4: 3 Abraão creu em Deus e foi considerado justo.

Romanos 4: 5 Para aquele que crê, sua fé é contada como justiça.

Romanos 4:25 é imputado. . . para nós que estamos crendo.

João 3:16 Todo aquele que crê nEle tem a vida eterna.

Lucas 7:50 Sua fé te salvou.

Romanos 10:10 Com o coração se crê para a justiça.

 Essa lista pode ser estendida indefinidamente. A fé é pessoal e a pessoa que é considerado como crendo, é o ser humano exercendo fé. Fé é. . . uma ativa disposição da mente e vontade que pode ser atribuída à pessoa que crê e ninguém mais – nem mesmo para Deus nesse sentido. Que os seres humanos são pessoas, não máquinas, é uma implicação disso. Mais importante, a linguagem bíblica nos deixa sem outra escolha.15

A salvação pela fé não contradiz a salvação pela graça? A salvação pela fé não implica, de alguma maneira sutil, a salvação pelas obras?

Paulo é o escritor do Novo Testamento que aborda essa questão mais amplamente. Romanos 3: 20–4: 25 indica o que está no centro do argumento de Paulo em todo Romanos: fé, não obras, é a condição para se manter justo diante de Deus. Em 3:21 22, a justiça é “à parte da lei”; é “pela fé” (dia com o genitivo). Dentro 3:27, ostentar é excluído – não pela “lei” das obras, mas pela “lei” da fé. Dentro 3:28, a justificação é “pela fé” (caso instrumental, pistei) à parte das obras da lei. Em 4: 2, 3, se Abraão fosse justificado por obras ele poderia se vangloriar; em vez disso, ele “colocou fé ”(aorist episteusen) em Deus e foi considerado justo. Em 4: 4, 5, pois qualquer que “trabalha” a recompensa é considerado pela obrigação, enquanto que para um crente a sua fé é considerado como justiça.

 Romanos 9: 30 -10: 13 está no coração da discussão de Paulo sobre a situação de Israel. Em 9:32 Israel não alcançou justiça diante de Deus porque não buscou pela fé (ek com o ablativo) mas pelas obras. Em 10: 5, 6, justiça “da (obras de) lei ”é diretamente contrastada com a justiça“ da fé ”(ek com o ablativo).

 Gálatas 2:16 faz o contraste duas vezes, afirmando que tanto em princípio quanto experiencialmente: a justificação não é pelas obras da lei, mas pela fé. . . . Gálatas 3: 2, 5. . . insiste duas vezes que a recepção do Espírito é por (ouvir de) fé e não pelas obras da lei.

 Efésios 2: 8 e 9. . . define “através da fé” em contraste com “das obras” como a condição ou instrumento de salvação.

 Filipenses 3: 9 contrasta a justiça própria, que é (as obras) da lei, com a justiça que é “de Deus” e “pela fé”. . . . Mais passagens poderiam ser citadas, mas estas são adequadas como base para uma indiscutível conclusão: “pela fé” e “pelas obras” são mutuamente excludentes. Fé (pelo menos fé corretamente concebida) não é obras, e assim “pela fé” não é “por obras”. Logicamente ou Biblicamente, essa disjunção se mantém. . . . A Bíblia fornece declarações diretas de que “pela fé” está em perfeito acordo com “pela graça.”

 Romanos 4: 4, 5 (acima) deixa claro que a avaliação do homem com base em obras seria por obrigação, enquanto avaliá-lo como homem de fé é pela graça. Efésios 2: 8-9 (acima) afirma explicitamente que a salvação pela fé é a salvação por graça, em contraste direto com a salvação pelas obras. Romanos 4: 2, 3 (e Efésios 2: 8, 9) tira a conclusão de que a salvação pela fé elimina o orgulho do homem. E quando o orgulho do homem é excluído, isso é claramente significava exaltar a graça de Deus como favor imerecido; gabar-se implica mérito.

Romanos 10: 3 faz a salvação pela fé (9:32) uma questão de se submeter a justiça de Deus fornece ao invés de tentar estabelecer o próprio justiça. A eliminação da justiça própria estabelece a salvação pela graça.

 Mais importante ainda, Romanos 4:16 expressa precisamente o que está envolvido em tudo isso: “É da fé. . . que pode ser pela graça. . . . “Pela fé”, longe de contradizer graça, é precisamente “de acordo com a graça”. Requer fé, e fé como uma condição, em contraste com as obras, para estabelecer a graça como base para a obra de salvação de Deus. Nisto ponto Paulo é muito claro.

 Certas conclusões são obviamente justificadas, então.

  1. Fé. . . não é obras. Certamente, uma “fé” erroneamente entendida como sendo algo não pode ser “obras”. Mas, desde que se signifique o que a Bíblia quer diz pela fé, a própria Bíblia é a base para essa distinção absoluta.
  2. Então a salvação pela fé não é salvação pelas obras. . . . Os lugares que aprendemos que a salvação não é pelas obras são os lugares que aprendemos que é pela fé.
  3. E a salvação pela fé está em perfeita harmonia com a salvação pela graça. Mais uma vez, são as Escrituras que nos ensinam isso; de fato, a salvação é pela fé para que possa ser de acordo com a graça.

 A fé pode ser uma condição para o homem receber sem ser uma causa meritória ou base da salvação.

  1. O que temos visto, até agora, deixa claro que a fé é a atividade da pessoa. E a rica variedade de maneiras que o Novo Testamento apresenta fé como uma condição dada, adicionando valor à ideia de que a pessoa satisfaz a condição crendo. . . .
  2. Como [o calvinista Louis] Berkhof insiste, a fé não é o fundamento de nossa salvação. . . .
  3. A fé, como um crer pessoal, é impossível à parte da operação graciosa do Espírito Santo. Isso fornece outra razão para dizer que a própria fé não carrega senso de mérito. A posição arminiana. . . é que o pecador é tão radicalmente depravado que ele não pode, por vontade própria e poder, crer. A habilitação, pré-regeneração (“Preveniente”) trabalho gracioso do Espírito de Deus para convencer e persuadir o pecador da natureza de sua condição e da verdade do evangelho é exigida antes da fé. Somente por esse trabalho há a capacidade do pecador de depositar fé em Cristo.17

Notas bibliográficas

1 Stephen Ashby, Four Views on Eternal Security, “Reformed Arminianism,” 167.

2 Ashby, “Reformed Arminianism,” 167.

3 Ashby, “Reformed Arminianism,” 167.

4 Ashby, “Reformed Arminianism,” 167-168.

5 Life in the Son: A Study of the Doctrine of Perseverance, 89-91.

6 Ashby, “Reformed Arminianism,” 168.

7 Ashby, “Reformed Arminianism,” 168.

8 Ashby, “Reformed Arminianism,” 168. O renomado calvinista Louis Berkhof pergunta retoricamente: “Podemos partir do pressuposto de que a vida eterna não será eterna?” (Systematic Theology, 548)

9 Ashby, “Reformed Arminianism,” 168-169.

10 Shank, Life in the Son, 52.

11 Shank, Life in the Son, 52-54.

12 Adapted from Life in the Son, 164.

13 Shank, Life in the Son, 164-167; 172-173

14 Robert Picirilli, Grace Faith Free Will, Contrasting Views of Salvation: Calvinism & Arminianism, 161.

15 Picirilli, Grace Faith Free Will, 161-163.

16 Picirilli, Grace Faith Free Will, 177.

17 Picirilli, Grace Faith Free Will, 177-181.

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