Molinismo e Teísmo Aberto – Parte I

 

Fui questionado pela enésima vez no Twitter ultimamente sobre a diferença entre “Molinismo” e “Teismo Aberto”, e por algum motivo, hoje parecia um bom dia para começar a abordar essa questão. Eu farei isso em duas partes. Hoje vou delinear e criticar ao molinismo, e em um post subsequente levantarei outra crítica como uma passagem para discutir o Teismo Aberto (ou melhor, a visão aberta do futuro, pois, como veremos, a questão não é sobre a natureza de Deus ou de seu conhecimento, mas a natureza do futuro no mundo que ele criou).

Eu prometo tentar manter esses posts tão livres do jargão filosófico quanto possível!

O que é Molinismo?

O Molinismo é a visão de que, desde toda a eternidade, Deus sabia não apenas o que todo agente livre faria no futuro, mas também o que eles fariam em qualquer outra circunstância possível na qual Deus pudesse tê-los colocado. À parte de seu conhecimento do que os agentes fariam em todas as circunstâncias possíveis (chamado de “Conhecimento Médio”, por razões que não precisamos investigar), Deus criou o melhor mundo possível, colocando todos os agentes nas melhores circunstâncias possíveis que maximizam o bem geral e minimizam o mal total de sua criação.

O aspecto distinto mais importante do Molinismo, portanto, é que ele defende que Deus escolhe o que cada agente fará no futuro com base em seu Conhecimento Médio do que cada agente faria em todas as circunstâncias possíveis. No entanto, o Molinismo sustenta que Deus não escolhe o que os agentes fariam em todas as circunstâncias possíveis, por isso pretende evitar o determinismo do Calvinismo e preservar o livre arbítrio libertário dos agentes (isto é, a capacidade de escolher o contrário).

A objeção de base

Há uma série de objeções convincentes ao Molinismo, mas em meus dois posts sobre esse assunto, vou apenas mencionar os dois que considero mais sérios. Neste post, abordarei “a objeção de base” e, em um post subsequente, abordarei uma segunda objeção como uma maneira de seguir para o Teismo Aberto.

Por ser conveniente fazê-lo, os filósofos costumam falar sobre o conhecimento de Deus em termos de seu conhecimento do valor de verdade de várias proposições. Então, se aceitarmos que Deus conhece o valor de verdade de todas as proposições sobre o que os agentes farão e fariam, devemos nos perguntar o que é que eternamente fundamenta o valor de verdade das proposições? (Daqui o título, “a objeção de base”). Uma proposição é verdadeira se, e somente se, corresponder a alguma realidade. Então, qual é a realidade eterna que corresponde ao valor de verdade dessas proposições?

Para ilustrar o problema, suponha que Deus saiba desde a eternidade que “Greg comeria uma barra de chocolate na noite de 16 de maio de 2014”. Que realidade torna isso eternamente verdadeiro? Não pode ser que Deus fundamente esta verdade, pois, como os Molinistas reconhecem, isso significaria que Deus me determinou a comer a barra de chocolate, caso em que eu não estou livre. Mas tampouco pode ser minha decisão intencional, em 16 de maio, de comer esse saboroso deleite que fundamenta esse conhecimento eterno, pois minha decisão obviamente não existia há uma eternidade.

A única alternativa é admitir que a verdade eterna que os agentes farão e fariam em todas as circunstâncias possíveis é. Essas verdades são causadas por nada e fundamentadas em nada, e isso é essencialmente o que a maioria dos Molinistas defende. Há pelo menos três grandes problemas com essa visão, no entanto.

Primeiro, essa visão é equivalente a um tipo de dualismo eterno, pois está postulando uma realidade eterna ao lado de Deus que o próprio Deus não criou. Pense nisso. Desde toda a eternidade, a verdade do que todo agente possível faria e poderia fazer em outras circunstâncias está eternamente estabelecido – e Deus não escolheu isso! Portanto, devemos aceitar que todos os fatos do que acontecerá e o que aconteceria em todas as outras circunstâncias concebíveis, existiram eternamente ao lado de Deus como uma realidade que ele não criou.

Em segundo lugar, afirmo que esse dualismo é incoerente. O conceito de um corpo de fatos eternamente estabelecidos sem uma causa está no mesmo nível do conceito de um unicórnio eterno sem causa que flutua no espaço. Uma vez que um unicórnio é um ser contingente, como é este alegado corpo de fatos eternamente estabelecidos, a razão insiste que deve haver uma razão suficiente para que seja do jeito que é e não de outra maneira. Mas infelizmente, com relação a este alegado corpo de fatos eternamente estabelecidos, o Molinismo não oferece tal razão. Apenas é.

Terceiro, esse conceito não é apenas incoerente, mas eu diria que leva ao próprio determinismo do tipo calvinista o qual ele foi projetado para evitar. Tanto quanto eu posso ver, não faz diferença se as minhas escolhas foram resolvidas por Deus em uma eternidade antes de eu as fazer ou se elas são estabelecidas por nada em uma eternidade antes de eu as fazer. Independentemente de como minhas escolhas foram eternamente resolvidas, o próprio fato de que elas estão estabelecidas na eternidade antes de eu fazê-las significa que eu não sou aquele que as resolve. No entanto, a menos que eu seja o único que resolve possíveis cursos de ação em cursos reais de ação – a menos que eu seja o único que estabelece o que eu escolho – eu não posso ver como eu sou, em qualquer sentido significativo (a saber. Libertário) da palavra, livre.

Assim, embora eu aprecie profundamente o desejo dos Molinistas de preservar o livre arbítrio, receio que o sistema deles logicamente enfraqueça o.

http://reknew.org/2014/05/molinism-and-open-theism-part-i/

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