Dissonância cognitiva no Calvinismo

Acusação: O Calvinismo representa uma dissonância cognitiva.

Mito ou Realidade: O Calvinismo conduz a uma dissonância cognitiva com que os calvinistas estão dispostos a viver, pois eles amam a visão mais ampla do Cristianismo, mas se existe uma forma mais biblicamente fiel de entender os ensinos bíblicos, enquanto simultaneamente se evita a dissonância cognitiva do Calvinismo, então é de se esperar que vejamos cada vez mais calvinistas começando a questionar e abandonar o Calvinismo.

Aqui estão algumas áreas da dissonância cognitiva do Calvinismo:

1 – A Queda, a Permissão Divina e o Autor do Pecado.

João Calvino declara:

De novo, pergunto: Donde vem que tanta gente, juntamente com seus filhos infantes, a queda de Adão lançasse, sem remédio, à morte eterna, a não ser porque a Deus assim pareceu bem? Aqui importa que suas línguas emudeçam, de outro modo tão loquazes. Certamente confesso ser esse um decreto espantoso. Entretanto, ninguém poderá negar que Deus já sabia qual fim o homem haveria de ter, antes que o criasse, e que ele sabia de antemão porque assim ordenara por seu decreto. Se alguém aqui investe contra a presciência de Deus, tropeça temerária e irrefletidamente. Ora, pergunto, por que se haja de ter o Juiz celestial culpado pelo fato de não ignorar o que haveria de acontecer? Por isso mesmo, se existe razão para queixa, ou justa ou ilusória, compete à predestinação. Nem deve parecer absurdo o que digo: Deus não só viu de antemão a queda do primeiro homem e nela a ruína de sua posteridade,mas também as administrou por seu arbítrio. (The Institutes of Christian Religion, Book 3, Chapter 23, section 7, ênfase minha).

João Calvino afirma:

Aqui recorre-se à distinção de vontade e permissão, segundo a qual querem manter que os ímpios perecem pela mera permissão divina, não porque Deus assim o queira. Mas, por que diremos que o permite, senão porque assim o quer? Pois não é provável que o homem tenha buscado sua perdição pela mera permissão de Deus, e não por sua ordenação. Como se realmente Deus não haja estabelecido em qual condição quisesse estar a principal de suas criaturas. (The Institutes of Christian Religion, Book 3, Chapter 23, section 8, ênfase minha).

Calvino escreve:

A esta opinião deste santo homem eu assino embaixo: pecando, eles fizeram o que Deus não queria a fim de que Deus, por meio de suas vontades más, pudesse fazer o que ele queria. (Concerning the Eternal Predestination of God, p. 123, ênfase minha).

João Calvino declara:

Então, Deus, ao ordenar a queda do homem, teve um fim mais justo e reto que mantém o nome do pecado em repúdio. Embora eu afirmo que ele ordenou o pecado, eu não admito que ele seja propriamente o autor do pecado. (Concerning the Eternal Predestination of God, p. 123, ênfase minha).

Calvino escreve:

Mas é subterfúgio completamente frívolo dizer que os permite ociosamente, quando a Escritura o mostra não somente desejando, mas sendo o autor deles. (Concerning the Eternal Predestination of God, p. 176, ênfase minha).

Calvino adiciona:

Se alguém objetar que isso está além da sua compreensão, eu confesso. Mas é de admirar se a imensa e incompreensível majestade de Deus excede os limites do nosso intelecto? Eu estou tão longe de empreender a explicação desse sublime e oculto segredo que eu quero que seja lembrado o que eu disse no início, que aqueles que procuram saber mais do que Deus revelou são loucos. Portanto, vamos ficar satisfeitos com uma ignorância instruída ao invés de uma intoxicação destemperada e inquisitiva de querer saber mais do que Deus permite. (Concerning the Eternal Predestination of God, p. 123, ênfase minha).

João Calvino escreve:

Mas agora, removendo de Deus toda causação imediata do ato, eu ao mesmo tempo removo dele toda a culpa e deixo somente o homem como responsável. É, portanto, ímpio e calunioso dizer que eu faço da queda do homem uma das obras de Deus. Mas como isso foi ordenado pelo pré-conhecimento edecreto de Deus do que o futuro do homem seria sem Deus ser implicado como aliado na culpa como o autor ou o aprovador da transgressão, é claramente um segredo que excede tanto a compreensão da mente humana que eu não me envergonho de confessar ignorância. (Concerning the Eternal Predestination of God, pp. 123, 124, ênfase minha).

O calvinista R. C. Sproul afirma:

Mas Adão e Eva não foram criados decaídos. Eles não tinham natureza pecaminosa. Eram boas criaturas com uma vontade livre. Ainda assim, escolheram pecar. Por quê? Não sei. Nem encontrei ninguém ainda que saiba. (Eleitos de Deus, p. 21, ênfase minha).

Então, os calvinistas realmente lutam para descobrir como conciliar o determinismo absoluto com a queda do homem. Há uma séria evasiva entre se Deus permitiu a queda ou não. Para o calvinista, isso é uma questão de ter “decretado permitir,” o que não faz absolutamente nenhum sentido, e novamente, é parte da dissonância cognitiva do Calvinismo. Inicialmente, Deus é o autor da queda, mas não o autor do pecado. Deus não meramente permitiu a queda, mas todavia tolerou a queda. O Calvinismo parece muito com o Fatalismo, mas os calvinistas rejeitam a acusação sobre a base de que ele não é uma forma de Fatalismo Naturalista, ao mesmo tempo que ignoram que o Calvinismo equivale ao Fatalismo Teísta.

2 – Fatalismo e Fantoches

O calvinista R. C. Sproul relembra sua conversão ao Calvinismo:

Eu não mais temia os demônios do fatalismo, ou o desagradável pensamento que eu estava sendo reduzido à condição de marionete. Agora eu me alegrava num gracioso Salvador, o único que era imortal e invisível, o único Deus sábio. (Eleitos de Deus, p. 8, ênfase minha).

O calvinista Colin Maxwell explica:

Calvinistas não são fatalistas. Todas as coisas são ordenadas, não pelo acaso cego aleatório, mas pelo decreto soberano daquele que faz todas as coisas segundo o conselho de sua própria vontade (Efésios 1.11). (A Word to those who take it upon themselves to write against Calvinism, ênfase minha).

Ora, mas quem falou alguma coisa sobre “acaso cego”? Estamos falando de Fatalismo Teísta.

O calvinista Rodger Tutt escreve:

Teologicamente, nós somos deterministas absolutos. Cremos no fatalismo teísta. O fatalismo humanista acredita que todas as coisas acontecem de qualquer jeito. O fatalismo teísta acredita que Deus está no controle soberano pessoal sobre todas as coisas que ocorrem de forma tudo o que acontece, acontece devido à sua causalidade… (Últimas mensagens de: rodgertutt).

O calvinista Richard Mouw escreve:

Não tem como negar que a crença de que somos predestinados à vida eterna pode conduzir a um entendimento determinista, até mesmo fatalista, da vida cristã. Se é Deus quem escolhe, então, podemos ser tentados a pensar que nossa própria escolha, nossa própria resposta a Deus, é uma charada. Tudo está programado. Mas os teólogos calvinistas se esforçam para negar esta implicação. (Calvinism in the Las Vegas Airport, p. 66, ênfase minha).

3 – O Calvinismo não é arbitrário, mas por outro lado ele é.

No entanto, Kennedy esclarece:

Repetidamente vemos que as pessoas são predestinadas (eleitas) à salvação – mas em nenhum lugar nós vemos que alguém é predestinado à condenação do inferno. Quando pensamos em Deus como injusta e arbitrariamente elegendo pessoas ao céu ou ao inferno, é como se tivéssemos uma imagem mental de uma fila de pessoas aguardando, e Deus passando por elas apontando para cada uma, ‘Inferno para você, céu para você, inferno, inferno, inferno, céu, inferno…’ Agora, seria injusto – e absolutamente caprichoso! Mas esse não é o tipo de Deus que amamos e servimos. (Solving Bible Mysteries, p. 29, ênfase minha).

Mas o que Kennedy chama de “injusto” e “absolutamente caprichoso” é exatamente o que João Calvino declarou:

João Calvino escreve:

Há alguns, também, que alegam que Deus é grandemente desonrado se tal poder arbitrário é conferido a ele. Mas seu desagrado os torna melhores teólogos do que Paulo, que estabeleceu como regra de humildade para os crentes, que eles deveriam admirar a soberania de Deus e não avaliá-la pelo seu próprio julgamento? (Calvin’s New Testament Commentaries: Romans and Thessalonians, pp. 209, 210, ênfase minha).

Claramente, João Calvino admitiu que a Eleição Calvinista é “arbitrária.”

4 – Predestinação Simples versus Dupla Predestinação

O calvinista Charles Spurgeon escreve:

Minha alma se revolta com a ideia de uma doutrina que derrama o sangue da alma humana na porta de Deus. Eu não posso conceber como alguma mente humana, pelo menos alguma mente cristã, pode apoiar tal blasfêmia como essa. Eu me alegro em pregar essa verdade abençoada – salvação de Deus, do começo ao fim – o Alfa e o Ômega; mas quando venho pregar a condenação, eu digo, a condenação é do homem, não de Deus; e se você perece, de suas próprias mãos deve ser seu sangue requerido. (Jacob and Esau, pregado em 16 de janeiro de 1859, ênfase minha).

Referem-se a ela como a Predestinação Simples, e Spurgeon não consegue imaginar como alguma mente cristã pode conceber a Dupla Predestinação. E então, um calvinista determinista, defensor da Dupla Predestinação, aparece e insiste que a Predestinação Simples desafia a lógica e que seus adeptos não estão dispostos a ser honestos consigo mesmos. E, claro, o arminiano se reclina e diz: “Ambos estão certos, na medida em que o outro está errado.”

5 – A Tensão Soberania vs. Responsabilidade

O calvinista Jeff Noblit declara:

… qualquer pregador que tenta simplificar a doutrina do pecado, a depravação do homem e a necessidade de arrependimento, não está pregando o evangelho verdadeiro. Esta abordagem não é nova ou inteligente, mas perversa – condenando as almas dos homens e levando milhões a uma falsa segurança. (A Southern Baptist Dialogue: Calvinism, p. 102, ênfase minha).

Se conseguir enquadrar esta declaração com o Calvinismo, eu gostaria de saber como, visto que, segundo o Calvinismo, os homens são nascidos “eleitos” ou condenados ao inferno (supostamente) pelo prazer soberano de Deus. Então, eu gostaria de saber como um pregador, segundo Noblit, pode condenar almas que já nasceram condenadas? Afinal de contas, se Deus os preteriu, com toda a indiferença casual do sacerdote e do levita de Lucas 10.30-37, então que coisa pior um pregador pode fazer a eles? Ou, se eles são um dos eleitos calvinisticamente, como o pregador vai bloquear a Graça Irresistível?

6 – Contradições Bíblicas?

O calvinista John MacArthur afirma:

Esta é uma das razões que eu sei que a Bíblia foi escrita por Deus, porque os homens a corrigiriam. Se eu escrevesse um livro que tivesse essas contradições, Phil [Johnson] excluiria-os todos. Uma das marcas da inspiração divina é o fato que você está tratando com a transcendência. (Election and Predestination: The Sovereignty of God in Salvation, ênfase minha).

Se as contradições são uma marca da origem divina, os escritos de MacArthur não deveriam ser igualmente contraditórios a fim de demonstrar origem similar? Ou talvez a Bíblia não tenha contradições e o Calvinismo está simplesmente errado. Isso é digno de consideração?

7 – Segurança: crendo que alguém é calvinisticamente eleito.

João Calvino escreve:

Os homens perguntam absurdamente como eles podem estar certos da salvação que está no conselho oculto de Deus. Tenho respondido com a verdade. Uma vez que a certeza da salvação é anunciada a nós em Cristo, é equivocado e injurioso a Cristo passar por esta fonte de vida oferecida da qual os suprimentos estão disponíveis, e labutar para extrair vida dos recônditos ocultos de Deus. (Concerning the Eternal Predestination of God, p. 126, ênfase minha).

Calvino explica:

Se Pighius pergunta como eu sei que sou eleito, eu respondo que Cristo é mais do que milhares de testemunhos para mim. (Concerning the Eternal Predestination of God, p.130, ênfase minha).

Esse é o seu “fundamento seguro para a confiança”? O foco é deslocado de simplesmente confiar em Cristo para a esperança de ser um membro dos “eleitos” secretos. Esta é de uma notável preocupação para um calvinista:

Calvino escreve:

Todos aqueles que não se reconhecem parte do povo de Deus são miseráveis, pois sempre estão num contínuo tremor. (Institutes of Christian Religion, Book 3, Part 12, Chp. 21, Section 1, ênfase minha).

O calvinista Charles Spurgeon relembra:

Com frequência chego a conhecer alguma pobre alma, a qual se desgasta e se preocupa diante do seguinte pensamento: “E se eu não for um dos eleitos, afinal?” E continua ainda: “Sei que tenho depositado a minha confiança em Jesus; sei que creio em Seu nome e confio no Seu sangue. Mas, o que adianta se eu não for um dos eleitos, afinal de contas?” Pobre e querida criatura humana! Sem dúvida você não sabe muita coisa do Evangelho, porque, do contrário, você não pensaria nesses termos, visto que aquele que crê é um dos eleitos. Aqueles que foram eleitos, também foram escolhidos para a santificação e para a fé; e, assim sendo, se você tem fé, então você é um dos eleitos de Deus. Você pode saber disso, e até deveria ter conhecimento dessa realidade, porquanto se trata de uma certeza absoluta. Se você, na qualidade de pecador que é, vier a contemplar a Jesus Cristo, e disser: “Coisa alguma em minhas mãos eu trago, somente em Tua cruz me agarro”, então você é um dos eleitos. Não temo que a doutrina da eleição amedronte a algum santo simples ou aos pecadores. (Eleição, pp. 26, 27, ênfase minha).

Aqui você vê pessoas que afirmam confiar em Jesus, mas todavia não sabem se são salvas, porque elas podem não ser “eleitas.” A resposta de Spurgeon: “Tenha fé que você é um dos eleitos de Deus.” Os calvinistas ficarão furiosos dizendo que esta é uma má representação da fé dos calvinistas, mas advinha só? Esta é uma história documentada. Os calvinistas estavam, de fato, confiando mais em um processo do que em uma pessoa. Isso é algo singular aos calvinistas. Os arminianos não têm tal temor de um projeto eterno. Os arminianos podem simplesmente confiar em Cristo.

Spurgeon conclui:

Que a tua esperança repouse inteiramente sobre a cruz de Cristo. Não deves ficar pensando sobre a eleição, e, sim, sobre Jesus Cristo. Descansa em Jesus – Jesus no princípio, no meio e sem nunca chegar ao fim. (Eleição, p. 35, ênfase minha).

E todavia Spurgeon também disse que o Calvinismo é o Evangelho e que não há Evangelho sem o Calvinismo.

8 – A Salvação inclui a Regeneração? A Expiação salva sem fé?

O calvinista James White escreve:

Primeiro, ele confunde os termos, tais como salvação e regeneração. Na maioria das obras teológicas, aregeneração é um subconjunto de um termo mais abrangente e amplo, a salvação, que com frequência inclui dentro dela a justificação, o perdão, a redenção e a adoção. Às vezes ela pode ser usado em um sentido mais estreito, mas em discussões históricas dessas questões, a regeneração tem um significado específico que o Sr. Hunt normalmente confunde. (Debating Calvinism, p. 305, ênfase minha).

Hunt responde:

White diz que eu confundo salvação e regeneração. Mas na Bíblia estes termos são sinônimos. Ninguém pode ser salvo sem ser regenerado ou regenerado sem ser salvo. … Um ‘subconjunto da… salvação’ seria ‘parte da’ salvação, que White agora admite que vem pela fé, fazendo a regeneração pela fé também.(Debating Calvinism, p. 307, ênfase minha).

Os calvinistas creem que uma pessoa primeiro é regenerada em Cristo e então é capaz de crer, mas a Bíblia nunca separa a salvação da regeneração. Ser regenerado é estar em Cristo e estar em Cristo é ser salvo, mas os calvinistas acreditam que os descrentes estão em Cristo para que eles possam crer.

Similarmente, os calvinistas de 5 pontos acreditam que as pessoas são salvas pelo própria Expiação.

James White afirma:

A morte substitutiva de Cristo em favor do seu povo é uma obra real e concluída: Ela não é dependente do ato humano da fé para sucesso ou fracasso. Quando o tempo chega na soberana providência de Deus de trazer à vida espiritual cada um daqueles por quem Cristo morreu, o Espírito de Deus não somente efetivamente realizará essa obra da regeneração, mas essa nova criatura em Cristo crerá infalivelmente em Jesus Cristo (‘todos os que o Pai me dá virão a mim’). Daí, não somos salvos ‘sem’ fé, mas ao mesmo tempo, a expiação de Cristo não se torna inútil e vã sem a adição de livre arbítrio libertário. (Debating Calvinism, p. 191, ênfase minha).

Mas eles ainda assim seriam salvos antes da fé, correto? Essa parece ser a dificuldade aqui, não?

Dave Hunt responde:

Eu destaquei que se a morte de Cristo salvou automaticamente, os eleitos nunca estavam perdidos e não precisavam crer no evangelho. White ridiculariza essa ideia, mas não a refuta. Ele admite que a fé é requerida, e então diz, ‘A morte substitutiva de Cristo… não é dependente do ato humano de fé.’ Inúmeros textos das Escrituras afirmam claramente que somente aqueles que creem são salvos. (Debating Calvinism, p. 194, ênfase minha).

9 – Mundo dos eleitos

Todos: Os eleitos

Todos os homens: Os eleitos

Todo mundo: Os eleitos

Todo aquele: Os eleitos

Mundo: Os eleitos

Todo o mundo: Os eleitos

Toda a ideia do “mundo dos eleitos” é um absurdo e consolida ainda mais o Calvinismo como sendo uma teologia de dissonância cognitiva.

Fonte: http://www.examiningcalvinism.com/files/Complaints/Charge_Dissonance.html

Tradução: Walson Sales.

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