Os Chifres do Calvinismo: ​​O problema da presciência divina no calvinismo e por que você deve ser um Arminiano

Os calvinistas muitas vezes suscitam a acusação contra o Teismo Aberto e os Arminianos tradicionais concordam que o Teismo Aberto é biblicamente problemático. No entanto, os calvinistas muitas vezes parecem esconder as implicações infelizes de sua própria visão da presciência.

Calvinismo Aberto?

O Calvinismo e o Teísmo Aberto compartilham alguns grandes pressupostos filosóficos. Uma suposição é que Deus não pode pre-conhecer contingências (como escolhas futuras do livre-arbitrio de Suas criaturas). Começando com esta suposição, os Calvinistas e Teístas Abertos vão resolver o problema de duas maneiras diferentes. O Teísta Aberto, desejando preservar a integridade do livre-arbítrio do homem, nega que Deus tenha conhecimento das escolhas livres da vontade [1]. Enquanto Deus pode pré-conhecer os eventos que Ele causará ou determinará, Deus não pode pré-conhecer contingências. O calvinismo aborda o problema com a mesma suposição fundamental ao acreditar que Deus não pode pré-conhecer contingências e, portanto, nega contingências completamente com a finalidade de preservar o pré-conhecimento exaustivo de Deus.

Os calvinistas também concordam com os Teistas Abertos que Deus só pode ter pré-conhecimento daquilo que Ele causa ou determina ao mesmo tempo em que dá um passo importante para afirmar que todas as coisas foram causadas ou determinadas por Deus de acordo com um decreto eterno. Os Arminianos, por outro lado, afirmam que Deus pode, de fato, ter pré-conhecimento de contingências. Deus é plenamente capaz de ter um conhecimento completo de cada escolha livre que será feita sem causar ou determinar essas escolhas. Os Arminianos admitem não conhecer como Deus pode fazer tais coisas, mas não veem nenhum problema lógico com a suposição e não precisa explicar como Deus pode fazer essas coisas, assim como os Arminianos não veem necessidade de explicar como Deus pode criar o universo à partir do nada.

Chifre # 1

Os Arminianos creem que a posição do Calvinismo sobre a presciência cria um dilema teológico grave para os Calvinistas. Ao concordar com o Teísmo Aberto que Deus não pode pré-conhecer as escolhas livres da vontade, o calvinismo evita o apelo ao mistério com relação a explicar como Deus pode pré-conhecer o futuro, incluindo todas as ações de Suas criaturas. Os Calvinistas acreditam que sua visão fornece uma solução bastante simples: Deus pré-conhece o futuro porque a Sua presciência é inteiramente baseada em Seu decreto eterno. Nesta perspectiva, Deus decretou desde a eternidade tudo o que aconteceria. Deus planejou tudo e depois colocou esse plano em movimento. A única maneira como Deus pode saber o que acontecerá no futuro é planejar de forma exaustiva o futuro na eternidade [2]. Deus infalivelmente fará acontecer tudo o que Ele decretou, até o menor detalhe. Os Arminianos creem que esse entendimento cria sérios problemas teológicos. Vamos esclarecer um pouco essa perspectiva para obter uma imagem mais nítida das dificuldades que apresenta.

Os Calvinistas afirmam que os decretos de Deus (seus planos desde a eternidade) abrangendo absolutamente tudo. Nada é excluído. Tudo foi planejado por Deus na eternidade. Deus só pode pré-conhecer alguma coisa, porque Ele o decretou e infalivelmente o trará no tempo. Como os planos de Deus para o futuro são exaustivos, a sua presciência do futuro é igualmente exaustiva. Isso cria um problema sério considerando à relação de Deus com o pecado A Bíblia deixa claro que Deus odeia o pecado e está separado do pecado. A santidade de Deus como revelada nas Escrituras afirma isso da maneira mais forte possível. É primordial para o caráter de Deus. Mas se a visão calvinista é verdadeira, Deus só pode pré-conhecer o pecado porque Ele o decretou e infalivelmente o causou no tempo, de tal forma que não poderia ter sido evitado. O pecado é, portanto, causado pelo decreto divino, e não apenas o pecado em geral, mas todo pecado específico que seria cometido. Ainda mais, todo desejo, motivo ou intenção pecaminosa foi decretado por Deus também. Se não fosse esse o caso, Deus não poderia ter pré-conhecimento desses desejos, motivos e intenções pecaminosas. É por isso que os Arminianos costumam acusar os Calvinistas de fazer de Deus o autor do pecado. As implicações são logicamente inevitáveis. O pecado não se origina na pessoa, mas no decreto de Deus, muito antes de existir qualquer pessoa para pecar. Isso significa que todo pecado tem sua origem na mente de Deus. O próprio Deus pensou em todo pecado e como cada pecado seria cometido de tal forma que o pecador não poderia evitar cometer esse pecado decretado mais do que ele ou ela poderia criar um universo.

Os Calvinistas fazem diferentes abordagens para lidar com essa dificuldade. Muitas vezes, eles simplesmente falam de forma incerta sobre o pecado decretado por Deus, mas, quando pressionados, devem admitir que o decreto eterno não permite tal imprecisão. É muito específico e abrangente, até o último detalhe. Alguns dizem que, embora Deus seja responsável por decretar o pecado, o pecador é, em última instância, responsável por causa de seu desejo maligno que produz o pecado. Mas isso não pode resolver o problema. Novamente, o decreto abrange tudo. Se não o fizesse, a presciência de Deus seria limitada e o Calvinismo se transformaria rapidamente em uma forma de Teísmo Aberto (veja o Chifre # 2 abaixo).

A natureza exaustiva do decreto deve significar que o decreto inclui os desejos do mal que produzem o pecado, assim como inclui o próprio ato pecaminoso. O decreto inclui a relação necessária de causa e efeito entre o desejo do pecador e o pecado. O decreto inclui a intenção pecaminosa. O decreto inclui o processo do pensamento que levou ao pecado e a cada pensamento nesse processo. O decreto inclui a “pecaminosidade” do pecado. O decreto inclui mesmo a natureza e a depravação do pecador. O decreto engloba o primeiro pecado do homem, bem como a rebelião de Satanás. Os apelos a causas secundárias também são inúteis quando Deus decretou todas as chamadas “causas secundárias” também. Nenhuma causa secundária pode causar qualquer coisa fora do decreto de Deus. Em suma, tudo está de acordo com o plano e a fonte do plano é somente Deus. Portanto, Deus deve ser a fonte original de todo pensamento pecaminoso, intenção, motivo, desejo e ato.

Chifre # 2

O primeiro problema trata da questão sobre presciência Calvinista, tornando o Deus de santidade o autor necessário, responsável e originador de todo pecador no universo. Não há como sair dessa dificuldade, exceto fazendo afirmações ilógicas, como a afirmação que, enquanto Deus nos faz pecar por meio de seu decreto, Ele não é, de alguma forma, o autor responsável do pecado. As outras implicações sérias que surgem do primeiro problema são as dificuldades de responsabilidade, justiça e julgamento. A visão Calvinista não pode evitar a implicação de que Deus castiga Suas criaturas por pecados inevitáveis ​​e os castiga eternamente da maneira mais horrível imaginável. Deus decreta todo seu pensamento pecaminoso e age de tal forma que eles não podem resistir a esses pensamentos e atos e depois os castigam eternamente por pensar e agir em perfeita conformidade com o decreto eterno de Deus. Outra vez, simplesmente não há como evitar este problema, exceto fazendo afirmações mais ilógicas.

Normalmente, os Calvinistas apenas afirmarão que o pecador ainda é responsável por seus pecados, embora esses pecados não pudessem ter sido evitados. Alguns se concentram no fato de que o pecador pecou “livremente” de acordo com sua natureza ou desejos, enquanto aparentemente esperam que não pressione a questão desconfortável da natureza do pecador, desejos, pensamentos e intenções sendo os mesmo irresistivelmente decretados por Deus junto com a própria natureza do pecado como pecaminosa. Em outras palavras, Deus castiga Suas criaturas por ser exatamente o que Ele criou para ser e agir exatamente como Ele as criou para agir.

A única solução real é negar que coisas como pensamentos, intenções, motivos e atos pecaminosos são abrangidos pelo decreto divino. Esta solução, para os Calvinistas, evita o primeiro problema de fazer de Deus o autor de todo pecado e mal, enquanto cai no segundao problema de limitar a presciência de Deus. Se Deus não decretou tais coisas, de acordo com o Calvinismo, Ele também não pode ter conhecimento prévio desta, e o Calvinista rapidamente se torna um parceiro do Teísta Aberto ao negar a presciência exaustiva de Deus. Então, no Calvinismo, é preciso abandonar a primeira problemática e aceitar que Deus é o autor do pecado no sentido mais forte possível, ou ele deve abandonar a segunda problemática e desistir da presciência exaustiva.

Evitando os problemas

Felizmente, há uma solução fácil e essa solução exige apenas uma coisa simples do Calvinista: abandonar o seu Calvinismo e se tornar um Arminiano! O Arminiano sustenta que Deus não precisa decretar uma coisa para conhecê-la de antemão. Deus pré-conheceu tudo desde toda a eternidade. Isso significa que nunca houve um “tempo” quando Deus não tinha presciência de todas as coisas. Portanto, Deus não aprendeu sobre o futuro, pois Ele sempre o conheceu plenamente. No entanto, Deus é capaz de saber o que é contingente. Deus pré-conheceu não só a escolha futura, mas Deus também deu poder alternativo para vontade que faz a escolha.

Uma pessoa pode escolher entre duas ou mais opções com o poder total de escolha entre possibilidades, e, no entanto, Deus pré-conhece qual será a escolha livre sem, de modo algum, tornar essa escolha necessária por Sua presciência. A presciência de Deus não é causadora. Deus pré-conhece a escolha porque escolheremos. Não escolhemos porque Deus pré-conhece a escolha. A ordem lógica é escolha e depois conhecimento, enquanto a ordem cronológica é conhecimento e depois escolha. É a diferença entre certeza (será) e necessidade (deve ser). Deus pré-conhece nossas escolhas livres como certas (elas serão), mas essa presciência não torna essas escolhas necessárias (devem ser) [3].

Nesta visão, Deus permite e pré-conhece o pecado, mas de modo algum o causa. Deus não planeja os pecados para que possamos fazer através de um decreto eterno. Nós somos os criadores de nosso pecado e rebelião, embora Deus perfeitamente pré-conheça tudo isso. O relacionamento de Deus com o pecado é de permissão e não apenas de prevenção. No entanto, há momentos em que Deus intervirá para impedir que as pessoas façam coisas más. Deus tem o direito soberano de fazer tais coisas quando Ele entender, de acordo com Sua sabedoria (ou em resposta a orações, etc.). Deus também tem o direito soberano de permitir que as pessoas imaginem os pecados e os cometam, de modo algum aprovando esses pecados e certamente não decretando esses pecados de tal maneira que as pessoas não possam evitar cometê-los.

Nesta visão Deus julga em perfeita justiça. Deus odeia o pecado, mas permite que Suas criaturas escolham a favor ou contra Ele. Enquanto Deus permite o pecado e nem sempre intervém para evitar o pecado e o mal neste mundo, virá um dia em que Deus julgará o universo em perfeita justiça, responsabilizando cada pessoa por suas ações e colocando fim ao pecado e ao mal uma vez e para sempre.

A visão do calvinismo não pode procurar qualquer solução tal como o problema do mal que só é agravado por um julgamento futuro, pois Deus levaria Suas criaturas responsáveis ​​pelos pecados e ações que se originaram na mente de Deus e foram decretadas por Deus desde a eternidade de tal maneira que os pecados e as ações não poderiam ter sido evitados pelas criaturas que ele julga.

Em tal visão, Deus julga Suas criaturas por se conformar perfeitamente com o decreto de Deus de tal maneira que não poderiam mais evitar tudo o que pensavam e faziam do que poderiam fazer Deus deixar de existir. Em essência, Deus estaria punindo Suas criaturas por ser exatamente o que Ele criou para serem e agir exatamente como Ele irresistivelmente decretou que eles agissem. Da mesma forma, Deus recompensaria / abençoaria muitos por fazer, tal como Ele decretou para eles não faz nenhuma diferença entre seus atos e os atos dos condenados, exceto pelo fato de Deus ter decretado “bons” atos para eles em vez de atos “condenáveis”[4].

Em tal esquema, não há diferença moral perceptível entre aquele que peca e aquele que faz o certo. Nem tem controle sobre suas intenções, desejos ou ações [5]. Ambos agiram em perfeita conformidade com um decreto eterno irresistível. Ambos agiram de acordo com uma “força motriz mais forte” a qual eles não tinham controle absoluto e nenhum poder para resistir [6]. A única diferença entre eles é que Deus abençoará ou recompensará aquele enquanto condena e punirá o outro. É impressionante para mim que os calvinistas parecem cada vez mais confortáveis ​​com tal conceito de justiça de Deus.

Conclusão:

A descrição Calvinista da presciência está infectada de graves dificuldades teológicas que levam a absurdos e que desafiam os ensinamentos cristãos mais básicos sobre o caráter, a santidade, a justiça e o amor de Deus. Em contrapartida, a única dificuldade no esquema Arminiano é a de explicar a capacidade de Deus de pré-conhecer escolhas livre da vontade sem causá-las (embora não seja realmente difícil imaginar tal coisa, mesmo que não possamos explicar como a capacidade funciona). Os Arminianos não veem isso como algo necessário para explicar. Nenhum teólogo pode explicar como Deus pode ter presciência de qualquer coisa, e muito menos de contingências futuras [7]. Nenhum teólogo pode explicar como Deus pode criar o universo do nada. Nenhum teólogo pode explicar a natureza eterna de Deus. Estes são mistérios deixados em seus lugares apropriados ao invés de afirmarem contradições flagrantes sob o argumento do mistério [8].

A posição Arminiana tem todas as vantagens de ser compatível com as Escritura e a experiência, evitando as graves implicações teológicas do Calvinismo. Tem a vantagem de fornecer uma teodiceia satisfatória que olha a frente para um julgamento futuro que solucionará para sempre o problema do mal ao invés de agravá-lo exponencialmente. Ele concorda com a linguagem da Escritura no que diz respeito aos mandamentos e a óbvia suposição bíblica inerente de um poder alternativo na vontade em inúmeras passagens em que somos chamados a fazer escolhas, fazer mudanças, fazer e manter compromissos, praticar o autocontrole e a autonegação, etc. [9]. Isso nos permite aceitar o testemunho bíblico que Deus deseja que todos sejam salvos e que Cristo morreu por todos sem ter que enviar tais passagens a interpretações distorcidas. Na verdade, o Arminianismo até faz melhor sentido dessas passagens, dada a sua linguagem específica e contextos completos, que abordam especificamente as questões de eleição e predestinação [10]. Portanto, parece-me que há todas as razões para ser um Arminiano e nenhuma boa razão para ser Calvinista [11].

 


[1] No sentido libertário, onde nossas escolhas não são predeterminadas como na descrição Calvinista do livre-arbítrio. Tenho argumentado anteriormente que a linguagem de escolha não é sem sentido na ausência de opções legítimas, como seria o caso se toda a ação de nossa mente e “vontade” fosse predeterminada, necessária e, portanto, completamente fora do nosso controle. A descrição libertária do livre-arbítrio afirma que, quando fazemos uma escolha, temos o poder alternativo total na vontade para uma escolha contrária; caso contrário, não poderia ser chamado de “escolha”. Robert Picirilli coloca isso bem quando escreve: “Uma escolha que só pode acontecer uma forma não é uma escolha …” (Grace, Faith, Free Will, pg. 41)

[2] Free Will Baptist F. Leroy Forlines cita vários Calvinistas sobre este ponto. Ele escreve,

“A preordenação, para a maioria dos Calvinistas, tira o mistério da presciência”. Como Boettner explica:

“A objeção Arminiana contra a preordenação tem uma força igual contra a presciência de Deus. O que Deus pre-conhece, na própria natureza do caso, está tão fixa e certo quanto o que é ordenado; e se alguém é inconsistente com a agência livre do homem, o outro deve ser também. A preordenação torna os acontecimentos certos, enquanto a presciência pressupõe que eles são certos.

“Ele continua dizendo:

“A doutrina Arminiana, ao rejeitar a preordenação, rejeita a base Teísta para a presciência. O senso comum nos diz que nenhum evento pode ser conhecido, a menos que, por algum meio, seja físico ou mental, predeterminado.

“Feinberg, ao defender sua posição do” determinismo suave “, diz:” se o indeterminismo é correto, não vejo como Deus pode dizer que conhece o futuro “. Se Deus realmente sabe o que (e não apenas) poderá ocorrer no futuro, o futuro deve ser definido e algum senso de determinismo se aplica. “Crabtree também vê um problema de presciência divina de eventos humanos livres. Ele explica: “Ninguém, nem mesmo Deus, pode conhecer o resultado de uma decisão autônoma que não foi feita, ele pode? Afirmar a possibilidade de tal conhecimento é problemático. “(The Quest for Truth: Answering Life’s Inescapable Questions, pg.310)

[3] Veja o livro de Picirilli, Grace, Faith, Free Will: Contrasting Views of Salvation: Arminianism vs. Calvinism, pp. 36-44, 59-63.Veja também o seu artigo teológico que cobre a maioria do mesmo terreno (veja a sua resposta publicada para abrir o teísmo aqui). Veja também Thomas Ralston tratado sobre a questão. Provavelmente o argumento mais solido para a consistência entre a verdadeira liberdade libertária e a presciência exaustiva pode ser encontrado na refutação de Daniel Whedon de Jonathan Edwards na reimpressão editada por John D. Wagner, Freedom of the Will: A Wesleyan Response to Jonathan Edwards, pp. 227-235. Uma versão original não editada do trabalho de Whedon pode ser lida on-line. As mesmas seções podem ser encontradas nas páginas 271-292.

[4] Eu coloco esses termos aqui em citação, porque é difícil entender como nossas ações poderiam ser chamadas de boas ou condenáveis ​​se fossem planejadas por Deus desde a eternidade e decretadas para nós de tal forma que ficamos totalmente impotentes para evitá-las. Isso parece esvaziar tais ações de qualquer relevância moral. Elas simplesmente seriam arbitrariamente rotuladas com base em como Deus escolhe reagir às ações que Ele pensou e decretou para Suas criaturas (seja em recompensa / bênção, ou condenação / punição). E no caso de alguém querer desviar a atenção para as intenções por trás das ações, precisamos apenas lembrar que, de acordo com o Calvinismo, Deus decretou essas intenções exatamente da mesma maneira.

[5] A descrição de Feinberg sobre compatibilismo ou “determinismo suave”, como citado pela Forliness, é instrutiva sobre esta questão e revela mais plenamente o grave problema moral inerente à posição,

“Como muitos outros deterministas, afirmo que há espaço para uma verdadeira sensação de ação humana livre, mesmo que tal ação seja causalmente determinada”. Esse tipo de liberdade não pode ser indeterminista [ou livre no sentido libertário do poder da escolha contrária da vontade], é claro. Em vez disso, os deterministas que se mantêm livres determinam dois tipos de causas que influenciam e determinam ações. Por um lado, há causas constrangedoras que obrigam um agente a agir contra sua vontade. Por outro lado, existem causas não limitantes. Estas são suficientes para provocar uma ação, mas não forçam uma pessoa a agir contra sua vontade, desejos ou querer. De acordo com deterministas como eu, uma ação é livre, mesmo que seja causalmente determinada, desde que as causas sejam sem restrições. Esta visão é muitas vezes referida como determinismo suave ou compatibilismo, pois a verdadeira ação humana livre é vista como compatível com condições não limitantes que inclinam a vontade de forma decisiva de uma maneira ou de outra.

“Mais tarde, neste mesmo tratado, ao comentar a responsabilidade humana, Feinberg explica,

“As pessoas são moralmente responsáveis ​​por suas ações porque elas as fazem livremente. Eu concordo que ninguém pode ser responsabilizado moralmente por ações que não são livres. Mas, como já foi argumentado, o compatibilismo permite que o agente atue livremente. A chave não é se os atos de alguém são causalmente determinados ou não, mas sim como eles são determinados. Se os atos são restritos, eles não são livres e o agente não é moralmente responsável por eles. ‘(Citado em The Quest for Truth, pp. 308, 309)

Para nossos propósitos, isso exigirá alguns esclarecimentos. Primeiro, para Feinberg, as pessoas agem livremente, desde que não sejam forçadas a agir “contra a vontade deles”. Ou seja, se eles são forçados a agir de maneira contrária aos seus próprios “desejos ou vontades”. Um exemplo disso pode ser alguém sendo forçado a fazer algo que eles não desejam fazer porque tem uma arma apontada (embora, mesmo neste cenário, uma pessoa possa optar por não obedecer ao homem da arma). Nesse caso, Feinberg diria que a pessoa não age de forma livre e, portanto, não é moralmente responsável por suas ações. No entanto, se agimos de acordo com nossos desejos, isso significa que agimos livremente e somos por isso moralmente responsáveis. A relevância moral é unida à ação “livremente” de acordo com nossos desejos. Mas esta explicação fica muito extensa quando percebemos que, mesmo na opinião de Feinberg, Deus determina aqueles desejos que agem irresistivelmente sobre a vontade. Em sua opinião, Deus move irresistivelmente a vontade “livremente” a agir como faz (“livremente” apenas no sentido de que nada impede a vontade de agir assim como Deus o controla irresistivelmente para agir), mas a vontade não pode deixar de se mover apenas como é movida. Portanto, é difícil ver como a solução de Feinberg soluciona qualquer coisa.

[6] Veja a refutação de Thomas Ralston do apelo calvinista aos motivos como necessariamente e irresistivelmente controlando nossas decisões:  Thomas Ralston on the Freedom of the Will Part 9

[7] Arminiano F. Leroy Forlines citações Calvinista James Oliver Buswell que não vê nenhum problema filosófico como não poder explicar como Deus poderia ter presciência das escolhas futuras do livre-arbítrio de Suas criaturas,

“A questão, então, como Deus pode conhecer um ato livre no futuro, respondo que não sei, mas também não sei como posso ter conhecimento por análise, por inferência, por razão ou por causas, ou por dados estatísticos referidos por intuição, ou (se for insistido) por ideias inatas. O conhecimento é um mistério em qualquer caso, e o conhecimento de Deus sobre os eventos livres no futuro é apenas mais um mistério, revelado nas Escrituras. Nós temos motivos bons e suficientes para aceitar, e nenhum motivo válido para rejeitar, o que a Escritura diz sobre esse assunto “(F. Leroy Forlines, Classical Arminianism, pg. 74. Citando Buswell’s A Systematic Theology of the Religion, Vol. 1, pg. 60)

[8] Armínio acertadamente deixou o mistério da presciência de Deus em Sua natureza da seguinte forma: “Deus aprende as coisas futuras através da infinidade de sua essência e pela perfeição preeminente de sua compreensão e presciência, não como ele quis ou decretou que eles devem ser feito necessariamente, embora ele não os conhecesse, exceto como eles eram futuros, e eles não seriam futuros a menos que Deus tivesse decretado para executá-los ou permiti-los. “(The Writings of James Arminius Vol. 2, pág. 480, como citado em Grace, Faith, Free Will, pág. 40).

Do mesmo modo, Daniel Whedon deixa claro que a dificuldade não é uma questão de saber se futuras escolhas do livre-arbítrio podem ser reconciliadas com a presciência (como certamente podem ser reconciliadas), mas em entender como Deus pode saber as futuras escolhas do livre-arbítrio,

“Se há alguma presciência ou não, é certo que haverá um curso específico de eventos futuros e nenhum outro. Na mais absoluta doutrina da liberdade haverá como brevemente vamos ilustrar mais completamente, há um conjunto de escolhas livremente apresentadas e nenhuma outra. Se, pela perfeição absoluta da onisciência de Deus, que um conjunto de eventos livres, desenvolvido com todo o poder, seja abraçado em sua presciência, segue-se que Deus pré-conhece o ato livre e que a presciência e a liberdade são compatíveis. A dificuldade não está na compatibilidade dos dois. A dificuldade real (que confessamos claramente que ficará insolúvel para sempre), como pode aparecer em breve mais claramente, é entender como Deus veio a ter presciência. Mas isso não é uma dificuldade maior do que conceber como Deus adquiriu sua onipotência ou auto-existência. Será um teólogo sábio que nos dirá como Deus conseguiu seus atributos. Exigirá um pensador profundo para dizer como o universo ou a sua imensidão surgiu por sua deidade real ou verdadeira; ou como o presente auto existente aconteceu, e nenhum outro. “(The Freedom of the Will: A Wesleyan Response to Jonathan Edwards, pg.299)

[9] Veja o excelente artigo de Glenn Shellrude sobre a incompatibilidade do determinismo Calvinista com a linguagem das Escrituras.

[10] Isto é especialmente verdadeiro em relação à visão de eleição corporativa que faz muito melhor sentido em passagens como os romanos 9-11 do que a visão de eleição incondicional individual reformada. Veja aqui alguns excelentes recursos na perspectiva corporativa da eleição.

[11] Para saber mais sobre o motivo pelo qual você deve ser um Arminiano, veja este fantástico artigo no F.A.C.T.S. de Salvação.

https://arminianperspectives.wordpress.com/2013/12/06/calvinism-on-the-horns-the-problem-of-divine-foreknowledge-in-calvinism-and-why-you-should-be-an-arminian/

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