Graça Preveniente por Orton Wiley

Antes de abordar a discussão da graça preveniente, pode ser bom chamar a atenção para o fato de que a graça de Deus é em si mesma infinita e, portanto, não pode ser limitada ao Sua obra redentora, inefavelmente grandiosa, como pode ser. (1) A graça é um fato eterno nas relações internas da Trindade. (2) existiu sob a forma de amor sacrificial antes da fundação do mundo. (3) Estendeu a ordem e a beleza ao processo e ao resultado da criação. (4) Inventou o plano para a restauração do homem pecador. (5) É manifestado especificamente através da religião revelada como o conteúdo da teologia cristã; E, (6) encontrará a sua consumação na regeneração de todas as coisas, das quais o Senhor testificou. A santidade absoluta do Criador determina a natureza da graça divina. Suas leis sempre operam sob este padrão. Uma vez compreendido e mantido esta concepção da infinidade da graça divina, e os atos reais e judiciais de Deus na justificação e na adoção nunca podem ser questionados.

A graça preveniente, como o termo implica, é a graça que “precede” ou prepara a alma para entrar no estado inicial de salvação. É preparatória.

Agostinho e os teólogos de sua época distinguiram cinco tipos de graça, como segue: (1) Graça preveniente é a que removeu a incapacidade natural e convida ao arrependimento; (2) Graça Preparatória é a que restringiu a resistência natural e dispôs à vontade para aceitar a salvação pela fé; (3) Graça operacional é a que conferiu o poder de crer e acendeu a fé justificadora; (4) Graça cooperante é a que seguiu a justificação e contribuiu para promover a santificação e boas obras; E (5) Graça conservadora, pela qual a fé e a santidade foram preservadas e confirmadas.

Em uma época posterior na história do pensamento cristão, os teólogos consideravam a fé como possuindo uma função quádrupla da seguinte maneira: (1) Elenchtical, ou o “despertar para o conhecimento do pecado; (2) Didactic, ou instrução no caminho da salvação; (3) Pedagogical, ou a conversão do pecador; E (4) Paracletic, ou a consolação e fortalecimento dos convertidos”.

O Espírito Santo é aqui o Autor da graça preliminar; isto é, do tipo de influência preparatória que é transmitida fora do templo do corpo místico de Cristo, ou melhor, na parte externa desse templo. Então Ele concede as bênçãos completas da salvação pessoal, assim elas são o resultado de uma união com Cristo, Ele é simplesmente e unicamente o Administrador e Doador: o objeto desta graça por natureza das coisas, somente pode receber. O perdão, a adoção, a santificação são, necessariamente atos divinos: nada pode ser mais absoluto do que a prerrogativa de Deus em conferir essas bênçãos. Isso não implica que as influências que preparam a alma para esses atos de graça perfeita não sejam apenas de uma Fonte divina. Deve-se lembrar de que é “a graça de nosso Senhor Jesus Cristo” que flui e revela o “amor de Deus” que é dispensado até o mundo exterior na comunhão do Espírito Santo. Mas também deve ser lembrado que essa influência preveniente está literalmente limitada ao uso humano disto, sendo sem significado à parte desse uso; e, ademais, isso por si mesmo não é salvadora, embora seja para a salvação. A atual área da teologia está sujeito a dificuldades peculiares e tem sido a arena de algumas das maiores controvérsias. – Pope, Compend. Chr. º. II, pp. 358, 359.

A graça do Espírito Santo age sobre o homem impotente no pecado. Para o culpado, isso pode ser considerado misericórdia; Em relação ao impotente, é poder habilitador. Pode ser definido, portanto, como a manifestação da influência divina que precede a plena vida regenerada. O assunto envolve dificuldades peculiares e deve ser submetido a um estudo cuidadoso. Devemos considerar, (1) A Abordagem Histórica do Assunto, e (2) A Natureza da Graça Preveniente. Seguindo isso, analisaremos o assunto mais cuidadosamente considerando (3) Graça Preveniente e Agencia Humana.

A Abordagem Histórica da Questão. A ideia de graça ou charis é fundamental tanto no Antigo como no Novo Testamento. No Antigo Testamento, é encontrado em textos como “meu Espírito não contenderá com ele para sempre” (Gênesis 6: 3), e “Não por força nem por violência, mas pelo meu Espírito’, diz o Senhor dos Exércitos.” (Zac 4: 6). No Novo Testamento, os textos são numerosos. Nosso Senhor disse: Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou não o atrair; (João 6:44), e novamente, sem mim, você não podem fazer nada (João 15: 5). São Paulo usa o termo com frequência. De fato, no devido tempo, quando ainda éramos fracos [desamparados], Cristo morreu pelos ímpios, do qual nenhuma parte esta livre do pecado e, portanto, tudo o que dele procede é considerado pecado. O verdadeiro arminiano tanto quanto o calvinista admite à depravação da natureza humana e, assim, magnifica a graça de Deus na salvação. Ele é, de fato, capaz de defender seu sistema da graça com maior consistência do que o próprio Calvinista. Pois, enquanto o último é obrigado, a dar conta de certas boas disposições e ocasionais inclinações religiosas naqueles que nunca forneceram provas da verdadeira conversão, referindo se à natureza ou a “graça comum”, a primeira às remete à graça somente.

O estado da natureza é, em certo sentido, um estado de graça, segundo a teologia arminiana. Assim, o Sr. Wesley diz: “Porque, ainda que admitindo que as almas de todos os homens estejam, por natureza, mortas no pecado, isso não é desculpa para ninguém, pois não existe homem algum que esteja num estado meramente natural, nenhum sequer, a menos, que tenha já extinguido o Espírito, completamente destituído da graça de Deus. Nenhum homem vivo está inteiramente destituído do que é comumente chamado de consciência natural. Mas isso não é natural. É mais corretamente designada de graça preveniente. Todos os homens têm de certo modo, em maior ou menor grau, esta graça, que não depende da iniciativa humana.” (WESLEY, Sermon: Working Out Our Own Salvation)

O arminianismo mantém a crença na continuidade da graça. Este é outro ponto ao qual o Sr. Wesley atribui ênfase peculiar. Em seu sermão sobre o arminianismo bíblico, ele afirma “Que há um estado de natureza, tão distinto do estado de graça como do estado de glória, esse estado de natureza, contudo, sendo ele mesmo um estado de graça, graça preliminar, que é difuso por todo o mundo, e visita todos os filhos dos homens: não meramente os restos de um bem intocado pela queda, mas os restos tanto do efeito quando do presente da redenção. A graça especial da iluminação e da conversão, o arrependimento e a fé, é somente preveniente, com aspectos de regeneração; Mas assim fluindo para a vida regenerada. Portanto, afirma, em certo sentido, o princípio da continuidade da graça, no caso dos que são salvos. Mas, nessa doutrina, toda graça não é a mesma graça em seu desenvolvimento, embora tudo seja o mesmo em seu propósito divino. Distingue medidas e graus da influência do Espírito, do benefício mais universal e comum da expiação na vida e suas vantagens até a consumação no poder do Espírito Santo que se encaixa no proposito de Deus. Rejeitar a ficção de uma graça comum não charis sotérios;* E se recusar a crer que qualquer influência do Espírito Divino adquirida pela expiação é transmitida sem referência à salvação final. A doutrina de uma continuidade da graça, fluindo em alguns casos ininterruptamente da graça do nascimento cristão, selada no batismo, até a plenitude da santificação, é consistente com as Escrituras. “- Pope, Compend. Chr. º. 11, p. 390

No the Scripture Way of Salvation, Wesley diz: a salvação de que se trata aí pode estender-se a toda a obra de Deus, desde o primeiro toque da graça na alma até sua consumação na glória. Se tomarmos a palavra em sua derradeira extensão, ela incluirá tudo quanto se opera na alma por meio do que com frequência se chama “consciência natural”, e que mais propriamente vem a ser a “graça preventiva”; todas as atividades do Pai; as aspirações de Deus, as quais, se atendermos a elas, aumentar-se-ão cada vez mais; toda aquela luz com que o Filho de Deus “alumia a todo que vem a este mundo”, ensinando a todo homem a “praticar a justiça, a amar a misericórdia e a andar humildemente com seu Deus”; todas as convicções que seu Espírito, de tempo em tempo, Infunde em todos os filhos dos homens, posto seja verdade que a generalidade dos homens as sufocam tão depressa quanto possível, e em breve tempo esquecem, ou pelo menos negam que jamais as tenham recebido por qualquer meio.

O sinergismo, ou a cooperação da graça divina e a vontade humana, é outra verdade básica do sistema arminiano. As Escrituras representam o Espírito agindo através e com a concordância  humana. A graça divina, no entanto, é sempre dada à preeminência, e isso por dois motivos: (1) A capacidade de religião está no profundo da natureza e constituição do homem. A assim chamada “consciência natural” é devido à influência universal do Espírito. É uma graça preliminar nas raízes da natureza humana, a que ele pode ceder, ou a qual ele pode resistir. O fato de o homem desde a queda ser um agente moral livre é tanto o efeito da graça quanto a necessidade de sua natureza moral. (2) A influência do Espírito conectado com a Palavra é irresistível como solicitando a atenção do homem natural, Ele pode resistir, mas ele não pode escapar disso. Esta graça se move sobre a vontade através das afeições de esperança e medo, e tocando os aspectos mais profundos de sua natureza, dispondo o a ceder aos apelos da Palavra, seja apresentado de forma direta ou indireta. Mas esta graça divina sempre age dentro do homem de uma maneira que não interfere com a liberdade de sua vontade. “O homem se determina”, diz o Pope, “através da graça divina para a salvação; Nunca tão livre como quando influenciado pela graça”.

Finalmente, o arminianismo sustenta que a salvação é toda por meio da graça, em que todo movimento da alma para Deus é iniciado pela graça divina; Mas reconhece também, no verdadeiro sentido, a cooperação da vontade humana, porque em última etapa, permanece como agente livre, para saber se a graça assim oferecida é aceita ou rejeitada.

Graça preveniente e agencia humana. A relação da graça livre com a agência pessoal exige uma análise adicional. Esta relação pode ser brevemente resumida nas seguintes proposições: (1) A graça preveniente é exercida sobre o homem natural, ou o homem em sua condição subsequente à queda. Essa graça é exercida sobre todo o seu ser, e não sobre qualquer elemento particular ou faculdade de seu ser. O pelagianismo considera a graça como agindo unicamente sobre o entendimento, enquanto o agostiniano cai em um erro oposto, ao supor que a graça determina a vontade através de uma chamada eficaz. O arminianismo mantém uma psicologia mais verdadeira. Insiste em que a graça não opera apenas sobre o intelecto, os sentimentos ou à vontade, mas sobre a pessoa ou o ser central o qual esta sob e por trás de todas as afeições e atributos. Isso preserva a crença na unidade da personalidade. (2) A graça preveniente tem a ver com o homem sendo um agente livre e responsável. A queda não apagou a imagem natural de Deus no homem, nem destruiu nenhum dos poderes de seu ser. Não destruiu o poder do pensamento que pertence ao intelecto, nem o poder do afeto que pertence aos sentimentos. Assim, também, não destruiu o poder da volição que pertence à vontade. (3) A graça preveniente mantém a sua frente, a pessoa assim escravizada pelo pecado. Não é somente o coração natural depravado, Mas adicionado a isto esta a depravação adquirida que atribui à transgressão verdadeira. Deus não obriga o homem por uma força mecânica, mas o atrai e o move pelo poder moral de Seu amor. Em nenhuma parte das Escritura  ou da Igreja  é ensinado que o pecador é inteiramente passivo na iniciativa do seu arrependimento. A voz que clama para despertar não é para os cadáveres, mas para os mortos espiritualmente, em quem permaneceu a capacidade de vida, uma receptividade, mesmo quando não podemos pensar em qualquer espontaneidade sem a influência da graça preparadora de Deus. A graça de Deus leva o pecador à fé, mas sempre de tal maneira, que a crença de este se render a Cristo é seu próprio ato pessoal. – Von Oosterzee, Chr. Dogm. II, p. 682.

Nunca o homem parece ser mais poderosamente determinado por Deus, do que no chamado à graça, e, no entanto é essa mesma convocação que chama sua liberdade de sua forma latente para a existência real. .-Lange

Mas adicionado a isto é a depravação adquirida que se une à transgressão vigente. Essa escravidão não é absoluta, pois a alma está consciente de sua escravidão e se revolta contra ela. Há, no entanto, um viés pecaminoso, comumente conhecido como “inclinação para o pecado”, que determina a conduta influenciando a vontade. Assim, a graça é necessária, não para restaurar a vontade seu poder de volição, nem o pensamento e o sentimento ao intelecto e a sensibilidade, pois esses nunca foram perdidos; Mas para despertar a alma para a verdade sobre a qual a religião esta apoiada e para se mover sobre as afeições atraindo o coração para o lado da verdade. (4) A cooperação contínua da vontade humana com a graça original do Espírito, funde a graça preveniente diretamente na graça salvadora, sem a necessidade de qualquer distinção arbitrária entre “graça comum” e “graça efetiva”, como é feito no calvinista sistema. Por sua insistência na cooperação da vontade humana, os teólogos arminianos foram acusados de serem pelagianos e de insistir no mérito humano em vez da graça divina na salvação. Mas eles sempre consideraram que a graça é preeminente e que o poder pelo qual o homem aceita a graça oferecida por Deus é de Deus (Banks); E “o poder pelo qual o homem coopera com a graça é da graça” (Pope). Em oposição ao agostinismo que sustenta que o homem não tem poder para cooperar com Deus até depois da regeneração, o Arminianismo sustenta que, através da graça preveniente do Espírito, concedido incondicionalmente a todos os homens, o poder e a responsabilidade da livre agência existem desde o início do alvorecer da vida moral.

Fonte

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