Citações dos pais da igreja primitiva apoiando o livre arbítrio.

Nos primeiros 400 anos da igreja primitiva, existiu um acordo completo entre os primeiros pais da igreja que o homem tem livre vontade, que não somos “uma vez salvos sempre salvos” ou ainda perseverança incondicional e que há uma incapacidade humana de buscar a Deus. Devemos acreditar que esses anos estavam cheios de escuridão  interpretativa antes de Agostinho entrar no cenário (354-430 dC) para finalmente nos dar luz? Os únicos que ensinaram contra o livre arbítrio eram os gnósticos. Toda a igreja primitiva até o tempo de Agostinho foi unânime em suas crenças e a compreensão da natureza do pecado sendo a escolha.

Greg Boyd diz: “Isto explica, em parte, porque Calvino não pode citar pais anteniceno contra seus oponentes libertários (por exemplo, Pighius). Portanto, quando Calvino debate com Pighius sobre a liberdade da vontade, ele cita Agostinho abundantemente, mas nenhum pai da igreja anterior é Citado “.

Os agnósticos e os maniqueus defendiam os pressupostos daquilo que atualmente chamaríamos de visão calvinista, mas Calvino não poderia utiliza-los ou poderia? E lembre-se de que Agostinho era um maniqueísta antes de ser cristão. Os gnósticos e os maniqueus devem mais a Platão e Aristóteles do que a Moisés ou a Paulo. Não coincidentemente, Agostinho é o teólogo com maior responsável pela integração de Platão com o cristianismo. Observe a citação de Arquelau dada no texto que segue. Note que ele estava em disputa com Manes, o fundador dos maniqueus. Manes acreditava no Destino, ou seja, não existe a tal vontade livre. Os pais da igreja primitiva se opuseram ardorosamente a este ensinamento. Eles falharam. Isso entrou na igreja – pelo menos a igreja ocidental – graças a Agostinho, que era neoplatônico e maniqueísta antes da sua conversão ao cristianismo. Em minha opinião, Agostinho nunca realmente se “converteu” de seu paradigma platônico / maniqueu. Ele manteve muitos aspectos dessa forma de pensar, e o cristianismo tem sido manchado com isso desde então. O ensinamento agostiniano sobre a predestinação é de natureza maniqueísta, e isso não é o que foi ensinado por Jesus ou os apóstolos. Martinho Lutero era um monge agostiniano. Até mesmo seus adeptos caracterizaram a Reforma como um renascimento do agostinianismo. Em nenhum lugar nos primeiros pais da igreja podemos documentar a visão maniqueísta sobre a predestinação antes de Agostinho. Os desdobramentos da teologia histórica agostiniana na Idade Média e inicio da Moderna , torna-se fácil documentar e chegar ao seu desenvolvimento e conclusão lógica em Lutero e Calvino.

Dentro da ortodoxia patrística três ideias podem facialmente ser encontradas em seus ensinos:

  1. Dentro da ortodoxia patrística a rejeição do livre-arbítrio é o ponto de vista dos heterodoxos e isso encontrasse amplamente documentado.
  2. O livre-arbítrio era compreendido como um dom dado ao homem por Deus.

3 – Dentro dos fundamentos de personalidade que Deus deu ao homem encontrasse o livre-arbítrio desde que esse foi feito à imagem de Deus.

Inácio de Antioquia (35-107 D.C.)

“Visto, então, que todas as coisas têm um fim, é-nos colocada diante de nós a vida, fruto da nossa observância [aos preceitos de Deus], e a morte, como resultado da desobediência; todos – conforme a escolha que fizer – encontrarão seu próprio lugar, permitindo escapar da morte e optar pela vida. Observo que duas características diferentes são encontradas nos homens: a verdadeira moeda e a espúria. O verdadeiro fiel é o tipo verdadeiro de moeda, cunhada pelo próprio Deus. O infiel, por sua vez, é uma moeda falsa, ilegal, espúria, falsificada, cunhada não por Deus, mas pelo diabo. Não estou querendo dizer que existem duas naturezas humanas diferentes; existe apenas uma única humanidade que, às vezes, pertence a Deus, e outras vezes, ao diabo. Se alguém é verdadeiramente religioso, será também homem de Deus; mas, se não for religioso, será homem do diabo, não por sua natureza, mas por sua própria escolha.” (Epístola Aos Magnésios Versão Longa – Capítulo V)

Mathetes – Final do Seculo 2

“Ao contrário, enviou-o com clemência e mansidão, como um rei que envia seu filho. Deus o enviou, e o enviou como homem para os homens; enviou-o para nos salvar, para persuadir, e não para compelir, pois em Deus não há violência.” ( Epistola a Diogneto 7, 3)

Justino Martir (100-165 D.C.)

De fato, do mesmo modo como no princípio nos fez do não ser, assim também cremos que àqueles que escolheram o que lhe é grato, concederá a incorruptibilidade e a convivência com ele, como prêmio dessa mesma escolha. Com efeito, ser criados no princípio não foi mérito nosso; mas agora ele nos persuade e nos conduz à fé para que sigamos o que lhe é grato, por livre escolha, através das potências racionais, com que ele mesmo nos presenteou.” (Apologia I, 10).

Atenágoras (133 —190 D.C.)

“Do mesmo modo, porém, que os homens têm livre-arbítrio podem optar pela virtude e pela maldade – pois se não estivesse em seu poder a maldade e a virtude, não honraríeis os bons nem castigaríeis os maus, quando uns se mostram diligentes e outros desleais naquilo que lhes confiais, assim também os anjos.”(Petição em Favor dos Cristãos – 24).

Irineu de Lion (130-202 D.C.)

Agora todas essas expressões demonstram que o homem está em seu próprio poder no que diz respeito à fé” (Contra as Heresias 4.37.2).

Metódio (260-312 D.C)

“Agora aqueles (pagãos) que decidem que o homem não é dotado de livre-arbítrio e afirmam que ele é regido pelas necessidades inevitáveis do destino, e os seus comandos não escritos, são culpados de impiedade para com o próprio Deus, fazendo-o ser a causa e o autor dos males humanos.” (O Banquete das Dez Virgens  – discurso 8 Capítulo 16).

Eu digo que o ser humano foi feito com livre-arbítrio, não como se já houvesse algum mal existente, que ele tinha o poder de escolher se quisesse […], mas que o poder de obedecer e desobedecer a Deus é a única causa (Sobre o livre-arbítrio).

João Crisóstomo (347 – 407 D.C.)

“Tendo assim alargado sobre o amor de Deus que, não contente com misericórdia com um blasfemo e perseguidor, conferiu-lhe outras bênçãos em abundância, ele tem se guardado contra esse erro dos descrentes que tira o livre arbítrio, acrescentando que, ‘com fé e o amor que há em Cristo Jesus.’ ” (Homilia Sobre Timóteo 3)

Gregório de Nissa (330-395 D.C.),

“Para Ele que fez o homem para a participação de Sua própria peculiar bondade, e incorporou nele os instintos de tudo o que era excelente, a fim de que seu desejo pudesse ser transportado por um movimento correspondente em cada caso a sua vontade, nunca teria privado o daquele mais excelente e precioso de todos os bens; Quero dizer o dom implícito em ser seu próprio mestre, e ter uma vontade livre.” (O Grande Catecismo – Leitura 5)

Tertuliano (110-165 D.C.)

“… não é parte de uma boa e sólida fé se referir todas as coisas à vontade de Deus…como fazer-nos não conseguir entender que há algo em nosso poder.”(Exortação sobre a castidade, 2)

“Acho, então, que o homem foi constituído gratuitamente por Deus. Ele era dono de sua própria vontade e poder…O homem é livre,com uma vontade, quer para a obediência ou resistência”. (Contra Marcião Livro 2, Capítulo 6)

Taciano o Sirio (110-172 D.C.)

“Entretanto, o Verbo, antes de criar os homens, foi artífice dos anjos, e algumas criaturas foram feitas livres, sem ter em si a natureza do bem (que não existe senão em Deus), mas que se realiza através dos homens, graças à liberdade de escolha. Desse modo, o mau é castigado justamente, pois se tornou mau por sua própria culpa; o justo é merecidamente louvado por suas obras, pois não transgrediu a vontade de Deus, embora por seu livre-arbítrio pudesse fazer isso. Essa é a nossa doutrina sobre os anjos e os homens.” (Discurso contra os Gregos Capítulo VII)

Clemente de Alexandria (150–215 D.C.)

“Nós não fomos criados para a morte, mas morremos por nossa própria culpa. A liberdade nos deixou; nós que éramos livres, nos tornamos escravos; fomos vendidos pelo pecado. Deus não fez nada mau; fomos nós que produzimos a maldade; nós que a produzimos, porém somos também capazes de recusá-la.”  (Discurso contra os Gregos Capítulo 9)

“Então, em nenhum aspecto Deus é o autor do mal. Mas desde que a livre escolha e inclinação originam pecados… punições são justamente infligidas”. (Stromata1, 17)

“Um homem pelo próprio trabalho elabutando na liberdade dos desejos pecaminosos não consegue nada. Mas se ele claramente mostra-se muito ansioso e sério sobre isso,ele alcança-la por meio da adição do poder de Deus. Deus trabalha em conjunto com as almas dispostas. Mas se a pessoa abandona o seu entusiasmo, o espírito de Deus também é contido. Para salvar o pouco disposto é o ato de um usando compulsão; mas para salvar o disposto, é um de mostrar graça.”(Qual o homem Rico se Salvará? Capítulo 21)

“Nem elogios nem condenação, nem recompensas nem punições, está certo se a alma não tem o poder de escolha e evitar, se o mal é involuntário.” (Miscelânias Livro 1, cap. 17)

Orígenes  (185 – 255 D.C.)

“Isto também está claramente definido no ensinamento da Igreja, que toda alma racional tem livre arbítrio e vontade… não são forçados por qualquer necessidade de agir com ou sem razão.” (Sobre os Princípios – Prefácio)

“Vamos começar pelo que se diz a respeito do faraó e de Deus que o endurece para impedi-lo de deixar partir o povo; examinaremos ao mesmo tempo esta palavra do Apóstolo: “Terá piedade de quem ele quer e endurecerá quem ele quer” (Rm 9,18). Examinemos o que dizem alguns heterodoxos. Eles se servem desses textos para quase suprimir o livre-arbítrio, argumentando que há naturezas perdidas, incapazes de salvação, e outras que estão salvas e são incapazes de se perder; dizem eles que o faraó era de uma natureza perdida, e endureceu por causa disso, porque Deus tem piedade dos espirituais e endurece os terrestres. Perguntamos se o faraó era de natureza terrestre; quando responderem, lhes diremos que aquele que tem uma natureza terrestre desobedece totalmente a Deus. Se desobedece, que necessidade existe de endurecer o seu coração, e isso não apenas uma, mas várias vezes? Mas, se lhe era possível ser persuadido, teria sido de fato persuadido, como se não fosse terrestre, porque fora convencido pelos prodígios e sinais; porém, Deus precisava da repetição da desobediência dele para manifestar suas maravilhas em vista da salvação de muitos; por essa razão, Deus endureceu o coração dele..”(Tratato Sobre os Princípio Livro 3, Capítulo 1, 8)

“Ele se faz conhecido para aqueles que, depois de fazer tudo o que os seus poderes permitem, confessam que precisam de ajuda Dele.” (Contra Celso Livro 7: 42)

Hipolito Roma (170 – 235 D.C.)

“Deus, que criou[o mundo], não fez nem faz o mal […]Agora, o homem (que foi trazido à existência) era uma criatura dotada de uma capacidade de auto determinação, mas ele não possuía um intelecto soberano… o homem a partir do fato de possuir uma capacidade de auto-determinação, faz o mal […] Uma vez que o homem temo livre-arbítrio, uma lei foi-lhe dada por Deus,para um bom propósito. Pois uma lei não vai ser dada a um animal desprovido de razão. Apenas um freio e chicote será dado.Em contraste, foi dado ao homem ordem para fazer, juntamente com uma grande penalidade.” (Refutação de todas as Heresias – Livro  10: 29, 2)

“O Verbo promulgou os mandamentos divinos, declarando-os. Com isso, ele tirou o homem da desobediência. Chamou o homem a liberdade através de uma escolha que envolve espontaneidade – não trazendo-o à servidão por força da necessidade.” (Refutação de todas as Heresias – Livro 10: 29, 3)

Cirilo de Jerusalém (386 D.C.)

“A alma é auto-regulada: e, embora o diabo possa sugerir, ele não tem o poder de obriga-la contra a sua vontade. ele mostra a você o pensamento da fornicação: se você deseja, você aceitá; se você não deseja,você rejeita. Porque, se você fosse um fornicador por necessidade,então por que causa que Deus prepara o inferno?Se você fosse um praticante da justiça pela natureza e não por vontade,por que  Deus preparou coroas de glória inefável? A ovelha é suave, mas nunca foi coroada por sua delicadeza: desde a sua qualidade suave pertence a ela não por escolha, mas por natureza.”(Leituras 4)

Carta de Barnabé (70-100  D.C.)

Estejamos atentos nestes últimos dias! Nada adiantará todo o tempo de nossa vida e de nossa fé, se agora neste tempo de impiedade e na iminência dos escândalos, não resistirmos, como convém a filhos de Deus.

O Senhor julgará o mundo com imparcialidade; cada um receberá segundo o que fez. Se for bom, sua justiça o precederá; se for mau, diante dele irá o salário do mal. Tomemos cuidado para não ficarmos tranquilos como chamados, adormecendo sobre nossos pecados, de modo que o príncipe do mal se apodere de nos e nos afaste do reino do Senhor. Meus irmão compreendei ainda o seguinte:  quando vedes que depois de tantos sinais  e prodígios acontecidos em Israel, assim mesmo eles foram abandonados, tomemos cuidado, como está escrito, para que não  sejamos encontrados “muitos chamados, mas poucos escolhidos.” Carta de Barnabé, 4.

 

“Eu li a maioria dos primeiros escritos da Igreja e reuni as citações pessoalmente – para ter certeza de entender o contexto e não perder nada. Mas é incrível para mim, pois pareço encontrar mais citações que eu não conhecia. É incrível o quanto a Igreja primitiva foi contra a TULIP! – eles [os reformados] se recusam a reconhecê-las, ou devem assumir que a Igreja primitiva abandonou a verdade que lhe fora ensinada pelos apóstolos imediatamente após a morte dos apóstolos. “(Lyndon Conn)

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