O Inadequado Precedente Histórico para “Uma vez salvo, sempre salvo”.

O Inadequado Precedente Histórico para

“Uma vez salvo, sempre salvo”.

 

Steve Witzki

 

John Jefferson Davis escreveu um artigo intitulado: “A Perseverança dos Santos: Uma História da Doutrina” [Journal of Evangelical Theological Society 34: 2 (Junho de 1991)]. Três coisas tornam este artigo de grande valor. Primeiro, ele foi escrito por um renomado e altamente respeitado teólogo calvinista. Segundo, ele abrange as pessoas chave e os grupos religiosos sobre o tema. Terceiro, ele demonstra que o “uma vez salvo, sempre salvo” ou segurança eterna incondicional não era uma doutrina que foi ensinada pela igreja antiga e, nem de forma alguma, por qualquer teólogo renomado antes de João Calvino. Essa doutrina é, de fato, completamente estranha na história do cristianismo.

 

Embora a primeira discussão extensa sobre a doutrina da perseverança dos santos se encontre no Tratado sobre o Dom da Perseverança de Agostinho, escrito em torno de 429 d.C., Agostinho acreditava que era possível experimentar a graça justificadora de Deus e ainda não perseverar até o fim. Agostinho acreditava que os eleitos de Deus certamente perseverariam até o fim, mas ele negou que uma pessoa pudesse saber que estava entre os eleitos e também advertiu que era possível ser justificado, mas não estar entre os eleitos. Não até Calvino conectar tudo: eleição incondicional, regeneração permanente e a certeza da perseverança final.

 

James Akin, um teólogo católico, disse em um debate com o teólogo calvinista James White que ninguém antes de Calvino ensinou que a predestinação à graça acarreta automaticamente a predestinação à glória.

 

Você pode verificar isso por si mesmo. Eu fiz isso. Pesquisei em vários livros e liguei para meia dúzia de seminários calvinistas, conversando com seus teólogos sistemáticos e professores de história da igreja, e ninguém pode nomear uma pessoa antes de Calvino, que ensinou essa tese. Todos disseram que Calvino foi o primeiro. Cheguei a ligar para John Jefferson Davis, um erudito que publicou um artigo no Journal of the Evangelical Theological Society sobre a história desta doutrina, um homem que é ele mesmo um calvinista, mas que pesquisou a história desta doutrina completamente, e ele disse que Calvino foi o primeiro a ensiná-la.

 

Isto coloca um problema até mesmo aos que afirmam tirar os seus ensinamentos exclusivamente da Escritura, ou seja, “Como poderia uma doutrina tão importante – se for verdadeira – permanecer completamente desconhecida pelos primeiros 1500 anos da história da Igreja e, se Jesus  tivesse voltado em algum momento, entre estes três quartos de toda a história da Igreja?”

 

Outras importantes doutrinas têm sido conhecidas por toda a história cristã. Os cristãos sempre souberam, mesmo quando os hereges a negavam, que Jesus Cristo era Deus. Os cristãos sempre souberam, mesmo quando os hereges a negavam, que Jesus Cristo é plenamente homem e plenamente Deus. E os cristãos sempre souberam, mesmo quando os hereges a negavam, que eram salvos puramente pela graça de Deus.

 

Então, quando se descobre que os cristãos nunca souberam que os verdadeiros cristãos jamais podem apostatar e, então, de repente, 1500 anos depois, alguém começa a reivindicá-la, é preciso se perguntar quem está transmitindo o verdadeiro ensinamento dos apóstolos e quem está ensinando a heresia. “Todos os Verdadeiros Cristãos Estão Predestinados a Perseverar?”

 

As observações de Akin são precisas e problemáticas para os estudiosos calvinistas. Além disso, o calvinista não se sai melhor quando se olha ainda mais profundamente para o que os primeiros cristãos acreditavam a respeito deste assunto. Em 1998, Hendrickson Publishers publicou A Dictionary of Early Christian Beliefs: A Reference Guide to More than 700 Topics Discussed by the Early Church Fathers. Sob o tópico da “Salvação”, encontramos a pergunta: “Os que estão salvos jamais podem se perder?” Depois de várias passagens bíblicas serem citadas [2 Cr 15.2; Ez 33.12; Mt 10.22; Lc 9.62; 2Tm 2.12; Hb 10.26; 2Pe 2.20-21], cinco páginas de citações são dadas a partir dos escritos dos primeiros líderes cristãos. Estas citações dão a evidência de que a igreja primitiva não acreditava em “uma vez salvo, sempre salvo.” Eles ensinaram que era possível para um crente genuíno rejeitar a Deus e acabar eternamente separado de Deus no inferno [pp. 586-591].

 

David Bercot, editor deste dicionário, também escreveu um livro provocativo chamado, Will the Real Heretics Please Stand Up?  É preciso que a igreja evangélica de hoje, tanto em seu estilo de vida quanto ensino, olhe para isto à luz do ensino cristão primitivo. Esse é um livro interessante que vem de alguém que leu todas as obras dos Pais Pré-Nicenos mais de uma vez. Ele escreve,

 

Visto que os primeiros cristãos acreditavam que nossa fé e obediência contínuas são necessárias para salvação, naturalmente segue que eles acreditavam que uma pessoa “salva” poderia ainda acabar se perdendo. Por exemplo, Irineu, o pupilo de Policarpo, escreveu: “Cristo não morrerá novamente em favor daqueles que agora cometem pecado porque a morte não mais terá domínio sobre Ele… Portanto, não devemos estar inchados… Mas devemos ter cuidado para que, de alguma forma, depois de [termos vindo ao] conhecimento de Cristo, se fizermos coisas desagradáveis a Deus, não obtermos mais perdão dos pecados, mas sim sermos excluídos de Seu reino” (Hb 6.4-6) [p. 65].

 

O que a Igreja Cristã acreditou historicamente a respeito da segurança do crente não é o teste final para determinar a nossa posição sobre esta questão hoje, mas a falta de precedentes históricos deve servir como um aviso. Antes de João Calvino, o ensino da segurança eterna incondicional não era uma doutrina que foi ensinada pela igreja universal através dos séculos. Portanto, enquanto as Escrituras são o teste final para a verdade sobre esta questão, “uma vez salvo, sempre salvo”, os professores precisam reconhecer que sua doutrina é historicamente uma anomalia. Além disso, a marca do ensino “uma vez salvo, salvo sempre” que diz às pessoas que elas podem parar de acreditar e ainda estar no seu caminho para o céu (mas com menos recompensas) não se encontra em nenhum lugar no cristianismo histórico antes do século XX.

 

 

 

Fonte: The Arminian

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